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Posted on September 10, 2010 - by admin
Parábolas de Jesus – Pequenos Inícios, Grandes Resultados
Entre a multidão que ouvia os ensinos de Jesus, havia muitos fariseus. Cheios de desdém, observavam quão poucos de Seus ouvintes O reconheciam como o Messias. E perguntavam de si para si como esse mestre despretensioso poderia elevar Israel ao domínio universal. Como poderia Ele, sem riquezas, poder ou honra, fundar um novo reino? Cristo lhes leu os pensamentos e respondeu:
“A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos?” Mar. 4:30. Em governos terrenos nada havia que pudesse servir de comparação. Nenhuma sociedade civil Lhe podia fornecer um símile. “É como um grão de mostarda”, disse “que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na Terra; mas, tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra.” Mar. 4:31 e 32.
O embrião, contido na semente, cresce pelo desenvolvimento do princípio vital que Deus nele implantou. Seu desenvolvimento não depende de meios humanos. Assim é com o reino de Cristo. Há uma nova criação. Os princípios de desenvolvimento são diretamente opostos aos que regem os reinos deste mundo. Governos terrenos prevalecem pelo emprego da força; pelas armas mantêm o seu domínio, mas o fundador do novo reino é o Príncipe da paz. O Espírito Santo representa os reinos terrestres mediante o símbolo de feras; mas Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João 1:29. Em Seu plano de governo não há o emprego da força bruta para compelir a consciência. Esperavam os judeus que o reino de Deus fosse estabelecido do mesmo modo que os do mundo. Para promover justiça, recorriam a medidas externas. Forjavam planos e métodos. Mas Cristo implanta um princípio. Implantando a verdade e a justiça, frustra o erro e o pecado.
Ao proferir Jesus esta parábola, a mostardeira podia ser vista perto e longe, erguendo-se sobre a relva e os cereais, balançando seus galhos levemente no ar. Os pássaros esvoaçavam de galho em galho e chilreavam entre a folhagem. Contudo, a semente de que surgiu essa planta gigantesca, era a menor de todas as sementes. Primeiro despontou um tenro broto; mas possuía bastante vitalidade, cresceu e floresceu até alcançar grande tamanho. Assim, a princípio, o reino de Cristo parecia humilde e insignificante. Comparado com os reinos terrestres, dir-se-ia ser o menor de todos. O direito de Cristo a ser rei, era ridicularizado pelos governantes deste mundo. Todavia, o reino do evangelho possuía vida divina nas poderosas verdades confiadas a Seus seguidores. E como foi rápido o seu crescimento! Que amplitude de influência! Quando Cristo pronunciou essa parábola, era o novo reino representado apenas por uns camponeses galileus. Sua pobreza e minoria foram apresentadas repetidamente como motivo por que os homens não se devessem unir a esses pescadores simples que seguiam a Jesus. Mas o grão de mostarda deveria crescer e estender seus ramos por todo o mundo. Quando passassem os reinos terrestres, cuja glória enchia então os corações, o reino de Cristo perduraria ainda como uma vasta e forte potência.
Assim a obra da graça no coração é pequena ao princípio. É dita uma palavra, um raio de luz projetado na alma, exercida uma influência que é o início da nova vida; e quem pode medir os resultados?
A parábola do grão de mostarda não só ilustra o crescimento do reino de Cristo, mas, em cada fase de seu desenvolvimento, repete-se a experiência nela apresentada. Para Sua igreja, em cada geração, Deus tem uma verdade peculiar e um serviço especial. A verdade, oculta aos sábios e entendidos deste mundo, é revelada às criancinhas e aos humildes. Exige sacrifício próprio. Há combates para se ferirem e vitórias para serem conquistadas. De início seus adeptos são poucos. Pelos grandes do mundo e por uma igreja de espírito mundano são repelidos e desprezados. Vede João Batista, o precursor de Cristo, sozinho censurando o orgulho e formalismo do povo judeu! Vede os primeiros defensores do evangelho na Europa! Obscura e desanimadora parecia a missão de Paulo e Silas, os dois fazedores de tendas, quando, com os companheiros, embarcavam em Trôade para Filipos! Vede o “idoso Paulo”, pregando a Cristo, acorrentado na cidadela dos Césares. Vede as pequenas comunidades de escravos e camponeses em conflito com o paganismo de Roma Imperial. Vede Martinho Lutero, resistindo àquela poderosa igreja que é a obra-prima da sabedoria deste mundo. Vede-o mantendo a Palavra de Deus contra o imperador e o papa, declarando: “Aqui estou; não posso proceder doutra forma. Deus me auxilie!” Vede João Wesley pregando a Cristo e Sua justiça em meio do formalismo, sensualidade e incredulidade. Vede alguém que, doendo-lhe a miséria do paganismo, roga o privilégio de lhes levar a mensagem do amor de Cristo. Ouvi a resposta do eclesiasticismo: “Sente-se, moço. Quando Deus quiser converter os pagãos, fá-lo-á sem o meu nem o seu auxílio.”
Os grandes guias do pensamento religioso desta geração anunciam os louvores daqueles que plantaram a semente da verdade há séculos, e erguem-lhes monumentos. Não abandonam muitos esta obra para espezinhar o renovo que hoje em dia desponta da mesma semente? Repete-se o velho clamor: “Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este [Cristo no mensageiro que Ele envia] não sabemos de onde é.” João 9:29. Como em épocas primitivas, as verdades especiais para este tempo não se acham com as autoridades eclesiásticas mas com homens e mulheres, que não são demasiado instruídos nem sábios demais para crer na Palavra de Deus.
“Porque vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são.” I Cor. 1:26-28. “Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.” I Cor. 2:5.
Nesta última geração, a parábola do grão de mostarda deve alcançar notável e triunfante cumprimento. A pequena semente tornar-se-á uma árvore. A última mensagem de advertência e misericórdia deve ir “a toda nação, e tribo, e língua, e povo” (Apoc. 14:6), para “tomar deles um povo para o Seu nome” (Atos 15:14); e a Terra será iluminada por Sua glória. (Apoc. 18:1.)
Posted on September 10, 2010 - by admin
Parábolas de Jesus – O Desenvolvimento da Vida
A parábola do semeador produziu muita indagação. Alguns dos ouvintes concluíram que Cristo não fundaria um reino terrestre, e muitos estavam curiosos e perplexos. Notando-lhes a perplexidade, Cristo usou outras ilustrações, ainda tentando desviar-lhes os pensamentos da esperança de um reino temporal, para a obra da graça divina no coração.
“E dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica; primeiro, a erva, depois, a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga. E, quando já o fruto se mostra, mete-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa.” Mar. 4:26-29.
O lavrador que mete “logo a foice, porque está chegada a ceifa”, não pode ser outro senão Cristo. Ele é que, no último grande dia, recolherá a seara da Terra. O semeador da semente, porém, representa aqueles que trabalham em lugar de Cristo. Da semente se diz que brotou e cresceu, “não sabendo ele como”, e isto não pode referir-se ao Filho de Deus. Cristo não dorme em Sua incumbência, mas cuida dela dia e noite. Não ignora como a semente germina.
A parábola da semente revela que Deus opera na Natureza. A semente encerra um princípio germinativo, princípio que Deus mesmo implantou; porém, abandonada a si própria a semente não teria a faculdade de germinar. O homem tem sua parte em favorecer o crescimento do grão. Precisa preparar e adubar o solo, e lançar a semente. Precisa lavrar o campo. Mas há um ponto, além do qual nada pode fazer. Nenhuma força ou sabedoria humana pode extrair da semente a planta viva. Ainda que o homem empregue seus esforços até ao limite extremo, precisará, entretanto, depender dAquele que ligou o semear e o colher pelos maravilhosos elos de Sua própria Onipotência.
Há vida na semente, e força no solo; mas se o poder infinito não for exercido dia e noite, a semente não produzirá colheita. A chuva precisa ser enviada para umedecer os campos sedentos, o Sol precisa comunicar calor, e a eletricidade precisa ser conduzida à semente enterrada. A vida que o Criador implantou, somente Ele pode despertar. Toda semente germina e toda planta se desenvolve pelo poder de Deus.
“Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o horto faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Jeová fará brotar a justiça e o louvor.” Isa. 61:11. Como no semear natural assim é no espiritual; o professor da verdade deve procurar preparar o solo do coração; precisa lançar a semente; mas a força que, somente, pode produzir vida, vem de Deus. Há um limite além do qual os esforços humanos são em vão. Embora devamos pregar a Palavra, não podemos comunicar o poder que vivificará a alma e fará brotar justiça e louvor. Na pregação da Palavra precisa haver a operação de um agente que supera as forças humanas. Somente pelo Espírito divino será a Palavra viva e poderosa para renovar o caráter para a vida eterna. Isso é o que Cristo buscava incutir em Seus discípulos. Ensinava que nada que possuíam em si mesmos podia dar êxito a seus esforços, mas o miraculoso poder de Deus é que torna eficaz Sua Palavra.
A obra do semeador é uma obra de fé. Poderá ele não compreender o mistério da germinação e do crescimento da semente. Todavia, tem confiança nos instrumentos pelos quais Deus faz a vegetação florescer. Lançando a semente à terra, desperdiça aparentemente o precioso cereal, que podia fornecer pão para sua família. Mas somente renuncia a um bem presente, em troca duma devolução maior. Espalha a semente, esperando recolhê-la multiplicada numa colheita abundante. Assim devem agir os servos de Cristo, aguardando a colheita da semente lançada à terra.
A boa semente pode por algum tempo jazer despercebida num coração frio, egoísta e mundano, sem dar demonstração de haver-se enraizado; porém mais tarde, tocando o Espírito de Deus esse coração, a semente oculta brota, e, finalmente, produz frutos para a glória de Deus. Não sabemos durante toda a vida qual prosperará, se esta ou aquela. Isso não é de nossa alçada. Façamos nosso trabalho e deixemos os resultados com Deus. “Pela manhã, semeia a tua semente e, à tarde, não retires a tua mão.” Ecl. 11:6. O grande concerto de Deus declara: “Enquanto a Terra durar, sementeira e sega, … não cessarão.” Gên. 8:22. Confiante nesta promessa o lavrador ara e semeia. Com não menos confiança devemos labutar na sementeira espiritual, confiantes em Sua declaração: “Assim será a palavra que sair da Minha boca; ela não voltará para Mim vazia; antes, fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a enviei.” Isa. 55:11. “Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.” Sal. 126:6.
A germinação da semente representa o início da vida espiritual, e o desenvolvimento da planta é uma bela figura do crescimento cristão. Como ocorre na Natureza, assim é na graça; não pode haver vida sem crescimento. A planta precisa crescer ou morrer. Como seu crescimento é silencioso e imperceptível, mas constante, assim é o desenvolvimento da vida cristã. Nossa vida pode ser perfeita em cada fase de desenvolvimento; contudo haverá progresso contínuo, se o propósito de Deus se cumprir em nós. A santificação é obra de toda uma vida. Multiplicando-se as oportunidades, ampliar-se-á nossa experiência e crescerá nosso conhecimento. Tornar-nos-emos fortes para assumir as responsabilidades, e nossa maturidade será proporcional aos nossos privilégios.
A planta cresce recebendo o que Deus provê para sustentar-lhe a vida. Aprofunda as raízes no solo. Absorve o sol, o orvalho e a chuva. Áureas propriedades vitalizantes do ar. Assim deve crescer o cristão, cooperando com os agentes divinos. Sentindo nosso desamparo, devemos aproveitar todas as oportunidades que se nos deparam, para ganhar uma experiência mais rica. Como a planta enraíza-se no solo, devemos também arraigar-nos profundamente em Cristo. Como a planta recebe o sol, o orvalho e a chuva, também devemos abrir o coração ao Espírito Santo. A obra deve ser feita “não por força, nem por violência, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”. Zac. 4:6. Se conservarmos a mente firmada em Cristo, “Ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a Terra”. Osé. 6:3. Como o Sol da Justiça levantar-se-á sobre nós, trazendo salvação “debaixo das Suas asas”. Mal. 4:2. Floresceremos “como o lírio”. Osé. 14:5. Seremos “vivificados como o trigo”, e floresceremos “como a vide”. Osé 14:7. Confiando constantemente em Cristo como nosso Salvador pessoal, cresceremos em tudo nAquele que é a cabeça.
O trigo desenvolve-se “primeiro, a erva, depois, a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga”. Mar. 4:28. O objetivo do lavrador no lançar a semente e na cultura da planta crescente é a produção de cereal. Deseja pão para os famintos, e semente para futuras searas. Assim espera o Lavrador divino uma colheita como recompensa de Seu trabalho e sacrifício. Cristo procura reproduzir-Se no coração dos homens; e faz isto por intermédio daqueles que nEle crêem. O objetivo da vida cristã é a frutificação – a reprodução do caráter de Cristo no crente, para que Se possa reproduzir em outros.
A planta não germina, não cresce, nem produz frutos para si mesma, mas para “dar semente ao semeador, e pão ao que come”. Isa. 55:10. Igualmente ninguém deve viver para si mesmo. O cristão está no mundo como representante de Cristo para a salvação de outros.
Na vida que se centraliza no eu não pode haver crescimento nem frutificação. Se aceitastes a Cristo como Salvador pessoal, deveis esquecer-vos e procurar auxiliar a outros. Falai do amor de Cristo, contai de Sua bondade. Cumpri todo dever que se vos apresenta. Levai sobre o coração o peso da salvação das pessoas, e tentai salvar os perdidos por todos os meios possíveis. Recebendo o Espírito de Cristo – o espírito do amor abnegado e do sacrifício por outrem – crescereis e produzireis fruto. As graças do Espírito amadurecerão em vosso caráter. Vossa fé aumentará; vossas convicções aprofundar-se-ão, vosso amor será mais perfeito. Mais e mais refletireis a semelhança de Cristo em tudo que é puro, nobre e amável.
“O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” Gál. 5:22 e 23. Este fruto jamais perecerá, antes produzirá uma colheita de sua espécie para a vida eterna. “Quando já o fruto se mostra, mete-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa.” Mar. 4:29. Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então virá para reclamá-los como Seus.
Todo cristão tem o privilégio, não só de esperar a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, como também de apressá-la. II Ped. 3:12. Se todos os que professam Seu nome produzissem fruto para Sua glória, quão depressa não estaria o mundo todo semeado com a semente do evangelho! Rapidamente amadureceria a última grande seara e Cristo viria recolher o precioso grão.
Posted on September 6, 2010 - by admin
COMO JESUS TRATOU – OS DESESPERANÇADOS
A cidade de Jerusalém foi destruída muitas vezes. Muitas cidades e vilas da Palestina não são mais como eram no tempo de Cristo. Ao longo dos anos as pessoas construíram novas cidades em cima das antigas.
Quando fiz uma excursão à Terra Santa, com algumas outras pessoas, alguns anos atrás, fomos visitar o Poço de Betesda. Ele está cerca de dois metros e meio abaixo da superfície da atual cidade, e você pode caminhar, descendo as escadas sinuosas até o nível do poço, onde ele estava nos dias de Jesus.
Quando você desce aos cinco pavilhões, uma outra escada desce ainda mais adiante na escuridão até a água do poço. Alguém do nosso grupo naquela hora desapareceu acidentalmente no poço, como se estivesse tentando encontrar outro caminho, em vez da escadaria escura para descer. Ele descobriu que as águas o agitaram em vez da água ser agitada!
Entretanto o poço de Betesda ainda está lá e nos permite imaginar como ele era nos dias de Jesus. A história do homem do poço de Betesda encontra-se em S. João capítulo 5:
“Passadas estas coisas, havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu para Jerusalém.
“Ora, existe ali junto à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco pavilhões.
“Nestes jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos [esperando que se movesse a água. Porquanto um anjo descia em certo tempo, agitando-a; e o primeiro que entrava no tanque, uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse].” Versos 1-4.
Esse era o local “milagroso” daquele tempo. Um centro de milagres onde as pessoas iam para encontrar saúde e cura – pelo menos assim pensavam eles.
“Estava ali um homem, enfermo havia trinta e oito anos.
“Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim, havia muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado?
“Respondeu-Lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois enquanto eu vou, desce outro antes de mim.
“Então lhe disse Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. Imediatamente o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar. E aquele dia era sábado.” S. João 5:5-9.
O restante do capítulo trata da seqüência ou resultado dessa história. Jesus foi levado diante de um tribunal e processado diante de uma corte terrena. Jesus, o Senhor do sábado, foi acusado de transgredir o sábado. Isso poderia ser engraçado, se não fosse tão trágico. Jesus – o Criador, Aquele que fez todas as coisas, aquele que mantinha os corações batendo nas pessoas que O estavam acusando. Sem dúvida, uma cena interessante.
Em seis diferentes ocasiões, Jesus foi acusado de transgredir o sábado. E ao estudar essas ocasiões você notará que Jesus sempre decidiu em favor das pessoas, enquanto os líderes religiosos decidiram em favor da lei.
Em S. Mateus 12:12 entretanto, Jesus disse: “É licito fazer bem aos sábados.” Assim Jesus “transgrediu” o sábado a fim de guardá-lo. E os líderes judeus, tentando guardá-lo, acabaram transgredindo-o. Quando Jesus decidia em favor das pessoas, Ele estava realmente decidindo também em favor da lei. As duas não se excluem mutuamente. É lícito fazer bem no dia de sábado.
Esta palavra – lícito – é muito interessante. O texto não diz: É bonito fazer bem no dia de sábado, ou é seu privilégio fazer o bem. Ele diz: é lícito fazer o bem. Em outras palavras, isto é o que a lei requer. Isso é como dirigir o carro em uma rodovia onde há uma placa que diz: “Velocidade mínima 60 km por hora.” Não apenas é permitido dirigir acima de 60 km por hora, mas você estará transgredindo a lei se dirigir mais devagar. Fazer o bem no dia de sábado é o que a lei requer. E Jesus veio revelar o verdadeiro propósito do sábado. Ele aparentemente lançou fora toda a precaução, deu um pulo gigante por cima de toda tradição e ritual, e mostrou tudo o que significava verdadeiramente guardar o sábado.
Nesse sábado particular, Jesus estivera caminhando através dos cinco pavilhões. As pessoas ali estavam em situações desesperadoras. Seus amigos ou familiares os haviam trazido ali como último recurso. Alguns tinham erigido rudes abrigos ao redor do poço; outros eram trazidos diariamente ao poço. Todos estavam esperando que a água se agitasse, para que pudessem tentar ser o primeiro a entrar no poço. Os doentes, cegos, coxos, paralíticos e desesperançados estavam em todo lugar – esperando.
Jesus caminhou sozinho e sem ser notado entre os sofredores. Isto foi no início de Seu ministério. Mais tarde, as pessoas em multidão O seguiriam e o povo palmilharia Suas pegadas. Porém, nenhuma multidão O seguia nesse dia para o poço, nenhuma mulher se apressou tentando tocar pelo menos a orla de Sua túnica.
Assim, Jesus caminhou pelos cinco pavilhões olhando para os doentes sofredores e desejando curá-los. Ele realmente queria curar a todos! Se estivesse lá e O reconhecesse e soubesse de Seu poder, eu teria gritado: ”Vai em frente Jesus! Cure todos eles!” Ele, entretanto, não podia fazer isso. Sua missão ainda incluía muitas coisas, e se Ele tivesse curado todos eles, isso teria interrompido Sua obra. Na verdade, por curar apenas um homem, Ele havia dado um grande passo em direção à cruz. Por essa razão Ele não curou todos os leprosos. Isto teria interferido em Sua missão maior – a salvação de toda a humanidade.
Eis a razão por que Deus não trouxe um fim ao pecado há muito tempo atrás. Essa é a razão por que Ele não cura a todos hoje – todos os doentes e enfermos nos hospitais e instituições de saúde. Deus, em Sua sabedoria, permite que o pecado evolua até suas últimas conseqüências, até que todos vejam o que ele realmente é. E quando finalmente chegar o fim do pecado, ninguém nunca mais o desejará.
Ao Jesus caminhar pelos cinco pavilhões, desejando curar a todos e talvez contemplando o dia quando o pecado estaria para sempre eliminado e todos estariam curados, Ele viu um caso mais desgraçado, e Sua compaixão extravasou.
Eis um homem doente por 38 anos. Seus amigos se foram. Sua família se foi. E seu único lar é ali no poço. Jesus pára, olha para ele, e pergunta o que pareceria uma questão tola:
– Queres ser curado?
– Desculpe-me! O que você pensa que eu estou fazendo aqui?
– Queres ser curado? – Evidentemente Ele queria que o homem desse uma resposta.
Bem, você sabe a resposta:
– Sim, é isso que eu estou aqui buscando. Mas não há ninguém aqui. Não tenho ninguém e não sou forte o suficiente para entrar no poço. Alguém sempre desce antes de mim. Isto é desesperador.
Jesus não perde tempo algum. Ele não desperdiça palavras. Ele olha para o homem e, com o poder que vem do Doador da Vida, o Criador, Aquele que fez o Universo – o poder que fez com que o pó se erguesse na Criação – Ele ordenou: “Levanta-te, toma o teu leito e anda.”
Agora, por favor, note aqui a intrigante seqüência. O relato é que (1) imediatamente o homem ficou curado, (2) tomou seu leito (3) e pôs-se a andar.
Quão fácil é nos colocarmos nesse quadro. Queremos justamente um pequeno crédito, uma pequena glória para nós mesmos. E dizemos: “Deus ajuda aqueles que se ajudam.” Queremos que os dons de Deus sejam dependentes de nossa obra de alguma maneira. Talvez você tenha ouvido pessoas dizerem que o que habilitou o homem a caminhar foi que ele colocou sua vontade, seu ânimo e sua determinação em fazer o que Jesus disse, e como pôs seu esforço nessa direção, ele foi curado e ficou apto a caminhar. Não foi assim. Jesus curou-o no momento. Primeiro ele foi curado e então se levantou, tomou o leito e andou. O caminhar e carregar o leito foram resultados da cura, não a causa.
Você vê o homem caminhando – saltando saindo dali. O que o poço representa? O poço poderia representar alguma coisa que nós tentamos fazer para efetuar nossa salvação ou obter nossa vitória ou nossa justificação.
Talvez uns poucos, cuja doença estivesse apenas na mente, fossem aparentemente curados porque pensavam assim. Mas esse homem estava doente. Ele não tinha nem mesmo força ou energia para entrar no poço. Ele era um caso desesperador.
Está você na situação dele? Não percamos a lição espiritual dessa história. Qual é o seu poço, hoje? Está você tentando ganhar o seu caminho para o Céu – tentando ser suficientemente bom para fazê-lo? É esse o seu poço? Você nunca vai conseguir por si mesmo.
Você tem tentado obter a vitória sobre algum pecado em sua vida? Tem você estado sem paz? Está você a ponto de se desesperar? É esse o seu poço? E o que dizer dos membros da igreja que estão tentando fazer alguma coisa para fazer com que Cristo volte? Você já ouviu sobre isso? Você já ouviu os slogans e faixas que dizem: “Levantemos e terminemos a obra”? E então você ouve dizer que a população do mundo está crescendo mais rápido do que a pregação do evangelho, e está a ponto de perder a esperança. E esse o seu poço, hoje?
Temos todo o tipo de poços os quais tentamos alcançar. Talvez haja alguém hoje que tem tentado, por 38 anos ou mais, alcançar seu poço e ainda não conseguiu. Eu tenho boas novas para vocês! “Há uma fonte repleta de sangue extraído das veias de Emanuel; e os pecadores, mergulhados nessa fonte, perdem todas as marcas de suas culpas.” Há um manto para aqueles que estão nus, um manto tecido sem nenhum fio de origem humana. Ele é oferecido a você hoje como um presente. Esse é o manto do poder de Jesus em lugar de suas falhas.
Assim, poderia você, por favor, unir-se a mim hoje em um desses cinco pavilhões? Jesus está passando por eles. Ele Se inclina sobre você e pergunta: “Queres ser curado?” Exatamente aqui chegamos àquilo que algumas pessoas chamam de evangelho subjetivo. Elas dizem: “Não fale sobre ser curado. Sejamos objetivos. Não olhemos para nós mesmos.” Pode você imaginar Jesus Se inclinando sobre esse homem no poço, dizendo:
– Você gostaria de ser curado?
E o homem diz:
– Oh, isso é muito subjetivo. Apenas ponha alguma justiça a meu crédito no Céu. Isso será suficiente.
Podemos ser gratos pelo que Jesus fez na cruz, mas podemos ser igualmente gratos pelo que Ele quer fazer em cada vida hoje. Charles Spurgeon, o poderoso pregador de anos passados, colocou isso assim: “E agora meus queridos ouvintes, eu vos farei a pergunta: Quereis ser curados? Desejais ser salvos? Sabeis ó que é ser salvo? Oh, dizeis vós, isto é escapar do inferno. Não, não, não. Isto é o resultado de ser salvo. Ser salvo é uma coisa inteiramente diferente. Quereis ser salvos do poder do pecado? Desejais ser salvos de ser cobiçosos, mundanos, impuros, temperamentais, injustos, descrentes, dominadores, bêbados, ou profanos? Estais vós dispostos a abandonar o pecado que vos é precioso?
” ‘Não’, diz alguém, ‘honestamente não posso dizer que quero tudo isso.’ Então você não é a pessoa a quem eu estou falando hoje.
“Entretanto há alguém que diz: ‘Sim, eu anseio ser libertado do pecado. Eu desejo pela graça de Deus, hoje mesmo, me tornar cristão e ser salvo de meus pecados.’ Então, levante-se, tome seu leito e ande.”
Não aceitaria você o maior Amigo que poderia ter, o próprio Senhor Jesus que caminha entre os cinco pavilhões? Ele veio não para chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento. E Ele diz: “Olhai para Mim e sede salvos, vós, todos os termos da Terra.” Isaías 45:22. Ele estava disposto a correr o risco por você. Sua compaixão sempre contém o melhor dEle. E Ele lhe oferece hoje a cura espiritual que você tanto deseja.
Posted on September 4, 2010 - by admin
COMO JESUS TRATOU – SEUS VIZINHOS
A notícia se espalhou rapidamente de um lugar a outro: Jesus estava vindo à cidade. Não que Ele estivesse longe da cidade por muito tempo. Por quase 30 anos, Ele havia sido um dos moradores de Nazaré. Não fazia nem dois anos que Ele havia empacotado as ferramentas, dito adeus a Sua mãe Maria, e saído para uma missão estranha.
As notícias haviam ido além do rio Jordão, da capital, Jerusalém, e de outras cidades e vilas na Galiléia. Jesus estava fazendo coisas misteriosas. Freqüentemente, junto ao poço da vila ou no mercado, os homens e mulheres em Nazaré discutiam os últimos rumores sobre Jesus. A maioria das histórias parecia bem diferente do caráter do Jesus que eles conheciam. Ali, na cidade de Nazaré, Jesus tinha sido um trabalhador braçal, um gentil ouvinte, um bom vizinho. Ele tinha sido um tanto excêntrico, intensamente interessado nas coisas de Deus e indo além de Seu caminho para ser um auxílio aos que estavam ao Seu redor. Porém, agora, subitamente Ele parecia um tipo de fanático, radical, zelote.
Ele não havia ido muito longe, antes que os habitantes da cidade ouvissem da Sua limpeza do templo em Jerusalém. Ele nunca tinha tentado qualquer coisa desse tipo na sinagoga local, em Nazaré! Mas, afinal, talvez Jerusalém necessitasse daquele tipo de tratamento. As coisas estavam muito corruptas ali na sede da nação – assim diziam.
Jesus tinha viajado bastante pelo país e um crescente número de pessoas O seguia onde quer que fosse. As notícias aumentavam sobre milagres, curas e exorcismos. Ninguém sabia com certeza no que crer, mas todos estavam interessados em saber sobre o Filho da terra, que estava fazendo o bem – ou estaria o Filho da terra criando problemas? Bem, agora eles descobririam por si mesmos, pois Jesus estava voltando a Nazaré para uma visita.
“Então Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia, e a Sua fama correu por toda a circunvizinhança. E ensinava nas sinagogas, sendo glorificado por todos. Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o Seu costume, e levantou-Se para ler.” S. Lucas 4:14-16.
As pessoas de Nazaré observaram com afetuoso orgulho Jesus tendo a honra de ler a Escritura naquela manhã de sábado. Era maravilhoso tê-Lo em casa novamente.
Era maravilhoso o fato dos anciãos locais terem Lhe dado o privilégio de estar na plataforma. Podia-se até ouvir alguém cochichando ao vizinho: “Esse é o filho de José, você sabe. Ele morava na nossa rua, ali embaixo.”
João Batista tinha proclamado Jesus como o Filho de Deus. Seus discípulos acreditavam que Ele era o Messias. As multidões O aceitavam como um grande professor ou profeta. Mas ali em Nazaré Ele era o filho de José. Se havia alguma verdade nas notícias dos milagres e das maravilhas que Ele havia realizado em outros lugares, não era Nazaré um lugar indicado para um espetáculo especial? Não tinham eles o direito de ocupar os bancos da frente? Não tinham eles ”O conhecido antes”? Eles se inclinaram para a frente a fim de captar melhor Suas palavras.
“Então Lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito:
“O Espírito do Senhor está sobre Mim, pelo que Me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-Me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o- ao assistente e sentou-Se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nEle.” S. Lucas 4:17-20.
Talvez muitas pessoas de Nazaré não tenham percebido a ênfase dada ao texto. Eles sabiam que a passagem particular das Escrituras era uma declaração messiânica, e eles pensavam no Messias que viria. Talvez uns poucos já estivessem começando a entender – e sentir-se incomodados. Porém, para todos eles, alguma coisa no ar evitou que a cerimônia continuasse, pois a Bíblia diz que os olhos de todos estavam fitos nEle, até mesmo após Ele haver Se assentado.
Então Jesus fala outra vez, no verso 21: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir.” E agora todos os rostos se fecharam. Jesus estava essencialmente dizendo: “Eu sou o Messias.” Palavras muito duras para ser aceitas quando ditas sobre o seu vizinho da porta ao lado. Porém, havia alguma coisa mais difícil para aceitar. Se Jesus estava dizendo: “Eu sou o Messias”, Ele também estava dizendo: “Vocês são pobres. Vocês são cativos. Vocês estão cegos e em prisão.”
Que maneira de Jesus tratar Seus vizinhos! Não mereciam eles Seu respeito e Sua honra? Não tinham eles O tratado polidamente? Que maneira de responder! Se Ele queria que eles cressem nEle – por que não começou curando as doenças e aflições de todos os Seus velhos amigos e vizinhos? Se Ele era o Messias – por que não começou oferecendo-lhes posições de importância em Seu novo reino sobre o qual eles tinham ouvido? Como podia Ele começar insultando-os e então continuar esperando seu apoio e aceitação?
Apesar do interesse em Jesus como o Filho da terra, que havia feito maravilhas em Jerusalém e Cafamaum, apesar das graciosas palavras que Ele falou, apesar da forte influência do Espírito Santo presente naquele dia, as sementes da rejeição eram fortes. As pessoas disseram: “Não é este o filho de José?” Verso 22. O que estavam eles dizendo? Eles estavam dizendo: “Ele é um de nós. Vá em frente Jesus, lute contra a corrupção em Jerusalém. Deixe que todos saibam sobre a pecaminosidade dos gentios e dos samaritanos. Repreenda as prostitutas e os coletores de impostos. Mas aqui é Nazaré! Não trate Seus vizinhos assim! Você é um de nós. Nós O ajudamos a ser o que Você é. Não nos engane – nós O conhecemos. Conhecemos Seus pais e Sua família. Sabemos exatamente que Você é o filho de José.”
Entretanto Jesus ainda não havia terminado. “Disse-lhes Jesus: Sem dúvida citar-Me-eis este provérbio: Médico, cura-Te a ti mesmo; tudo o que ouvimos ter-se dado em Cafarnaum, faze-o também aqui na Tua terra. ” Verso 23. E continuou relembrando-os do tempo de Elias, quando ficou sem chover por três anos e meio e, apesar de muitas viúvas em Israel, Elias foi enviado a uma viúva em Sarepta, uma cidade de Sidom – a alguém de fora. Deus passou por Seu povo daqueles dias e foi aos gentios. Não apenas isso, mas Jesus relembrou-os de Naamã que fora curado por Eliseu, enquanto nenhum dos leprosos em Israel foi curado. E agora Jesus estava sugerindo que a mesma coisa aconteceria outra vez em Nazaré. Isso era demais para aceitar.
“Todos na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira.” Verso 28. Todos eles!
Espere um minuto – essas eram as pessoas com as quais Jesus havia crescido. Essas eram as pessoas que haviam brincado com Ele nas ruas – quando eles estavam brincando, Jesus também brincava. Essas pessoas O tinham visto como menino, saindo da vila de Nazaré bem cedo, cada manhã, ou à noite carregando no braço a Escritura Sagrada, em direção às montanhas, para passar algum tempo em comunhão com Seu Pai. Essas eram pessoas que tinham visto Sua vida perfeita, que tinham recebido um copo de água fria de Suas mãos, que tinham partilhado de Seu lanche quando estavam com fome. Marcos nos conta que Sua própria família estava ali também, embora nós certamente desejássemos esperar que a reação deles fosse uma exceção. Mas o texto diz que todos eles se encheram de ira.
Eles, “levantando-se, expulsaram-no da cidade e O levaram até ao cume do monte sobre o qual estava edificada, para de lá O precipitarem abaixo. Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-Se.” Versos 29 e 30.
Pode você vê-Lo indo embora de Nazaré, sozinho? Pode você vê-Lo cabisbaixo com lágrimas na face? Esses eram os Seus amigos de infância. Certamente, Ele amava essas pessoas de modo especial, mas eles O haviam rejeitado – e não apenas isso, eles tinham tentado matá-Lo! Mais um desgosto profundo tinha vindo a esse Homem de Dores, que estava familiarizado com o sofrimento. Seus próprios vizinhos e amigos e, até mesmo, quem sabe, alguns de Seus próprios familiares O haviam rejeitado.
Qual era a base dessa rejeição? Isto ia muito mais fundo do que a rivalidade de Seus próprios conterrâneos e vizinhos. Eles O rejeitaram porque Ele era puro e eles eram pecadores. A impiedade tem sempre sido desconfortável na presença da piedade. Eles O rejeitaram porque sabiam que teriam que aceitar a mudança, caso aceitassem Seus ensinos. Eles O rejeitaram porque o orgulho nacional havia sido pesadamente atingido. Eles não desejavam considerar os relatos do Antigo Testamento sobre as ocasiões em que os gentios, pagãos e estrangeiros tinham sido honrados acima do povo escolhido. Eles O rejeitaram porque Ele não deu o respeito apropriado à vida religiosa deles, aos costumes religiosos ou até mesmo aos seus líderes religiosos, a quem eles reverenciavam. Eles O rejeitaram porque Ele era um deles – e no entanto não era como eles.
Assim, Jesus foi forçado a afastar-Se de Seus vizinhos de Nazaré e desaparecer pela rua empoeirada com a trágica conclusão de que, para a maioria deles, a rejeição era final. Ele sabia que uma vez que as pessoas rejeitam a Deus é quase inevitável continuarem rejeitando-O. O orgulho humano tende a persistir sempre, mesmo admitindo que isso seja um erro. Uma vez tomada uma posição, não gostamos de voltar atrás. E para a maioria dos vizinhos de Jesus essa rejeição em Nazaré jamais seria modificada.
Contudo, mesmo em Nazaré havia uns poucos. S. Marcos 6:5 indica que Ele curou uns poucos enfermos. Na escolhida nação, entre o povo escolhido de Deus, havia poucas pessoas. Ali sempre têm sido poucos os que O aceitam, e eu quero desesperadamente estar entre aqueles que O aceitam hoje. E você? Jesus veio pregar o evangelho aos pobres. Ali havia alguns poucos pescadores pobres que O aceitaram.
Você gostaria de unir-se a eles hoje? Jesus veio curar os de coração contrito. Ali havia uns poucos de coração contrito, como Maria e Marta, que aprenderam a sentar-se aos Seus pés. Jesus veio pregar liberdade aos cativos. Havia alguns poucos que ouviram as palavras de Jesus acima dos rugidos dos demônios em suas mentes escuras e aceitaram a liberdade que Ele ofereceu. Jesus veio dar visão aos cegos, e havia uns poucos, como o cego Bartimeu que clamou em alta voz pelo auxílio que Ele desejava dar. Havia uns poucos espiritualmente cegos, que sentiram suas necessidades – que se inclinaram por Jesus e cuja visão também foi restaurada. Havia uns poucos que tinham sido agredidos e dilacerados pelo inimigo, que vieram a Jesus e aceitaram Sua liberdade e gritaram louvores a Ele.
Mas havia uns poucos.
Ao ver Jesus descendo pela estrada, forçado a ir embora para longe daqueles que haviam rejeitado Seu amor, não deixe que Ele vá sozinho. Não O deixe ir sozinho hoje, mas caminhe ao Seu lado e diga: “Querido Senhor, conte comigo. Eu estou do Seu lado. Eu não quero rejeitá-Lo.”
Ele ainda está procurando com grande ansiedade os poucos que aceitarão as bênçãos que Ele está desejando outorgar.
Posted on September 4, 2010 - by admin
Parábolas de Jesus – A Rede e a Pesca
“O reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar e que apanha toda qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos e separarão os maus dentre os justos. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes.” Mat. 13:47-50.
O lançar da rede é a pregação do evangelho. Este congrega na igreja bons e maus. Quando terminar a missão do evangelho, o juízo efetuará a obra de separação. Cristo viu que a existência de falsos irmãos na igreja motivaria que se falasse mal do caminho da verdade.
O mundo difamaria o Evangelho por causa da vida incoerente de falsos professos. Mesmo os cristãos seriam induzidos a tropeçar, ao verem que muitos que levavam o nome de Cristo não eram governados pelo Seu Espírito. Havendo tais pecadores na igreja, os homens estariam em perigo de pensar que Deus lhes desculparia os pecados. Por isso Cristo ergueu o véu do futuro e ordenou a todos que notassem que o caráter e não a posição é que decide o destino do homem.
Tanto a parábola do joio, como a da rede, claramente ensinam que não haverá um tempo em que todos os ímpios se converterão a Deus. O trigo e o joio crescem juntos até à ceifa. Os peixes bons e os ruins são puxados juntamente para a margem, para uma separação final.
Essas parábolas ensinam que depois do Juízo não haverá graça. Quando findar a obra do evangelho, seguir-se-á imediatamente a separação de bons e maus, e o destino de cada classe será fixado para sempre.
Deus não deseja a destruição de ninguém. “Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva; convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis?” Ezeq. 33:11. Durante todo o período da graça Seu Espírito insta com os homens para que aceitem o dom da vida. Somente os que Lhe rejeitam a intercessão serão deixados a perecer. Deus declarou que o pecado precisa ser destruído como um mal nocivo ao Universo. Os que se atêm ao pecado hão de perecer na destruição do mesmo.
Posted on September 3, 2010 - by admin
Parábolas de Jesus – Como Aumentar a Fé e a Confiança
Cristo recebia constantemente do Pai, para que nos pudesse comunicar. “A palavra que ouvistes”, disse Ele, “não é Minha, mas do Pai que Me enviou.” João 14:24. “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.” Mat. 20:28. Vivia, meditava e orava não para Si mesmo, mas para os outros. Depois de passar horas com Deus, apresentava-Se manhã após manhã para comunicar aos homens a luz do Céu. Cotidianamente recebia novo batismo do Espírito Santo. Nas primeiras horas do novo dia o Senhor O despertava de Seu repouso, e Sua alma e lábios eram ungidos de graça para que a pudesse transmitir a outros. As palavras Lhe eram dadas diretamente das cortes celestes, palavras que pudesse falar oportunamente aos cansados e oprimidos. “O Senhor Jeová”, disse, “Me deu uma língua erudita, para que Eu saiba dizer, a seu tempo, uma boa palavra ao que está cansado: Ele desperta-Me todas as manhãs, desperta-Me o ouvido para que ouça como aqueles que aprendem.” Isa. 50:4.
As orações de Cristo e Seu hábito de comunhão com Deus, impressionavam muito os discípulos. Um dia, depois de breve ausência de Seu Senhor, encontraram-nO absorto em súplicas. Parecendo inconsciente da presença deles, continuou orando em alta voz. O coração dos discípulos foi movido profundamente. Ao cessar Ele de orar, exclamaram: “Senhor, ensina-nos a orar.” Luc. 11:1. Correspondendo ao pedido, Cristo proferiu a oração dominical, tal como a dera no sermão da montanha. Ilustrou, então, por meio de uma parábola, a lição que desejava dar-lhes.
“Qual de vós”, disse, “terá um amigo e, se for procurá-lo à meia-noite, lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe; se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar. Digo-vos que, ainda que se não levante a dar-lhos por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação e lhe dará tudo o que houver mister.” Luc. 11:5-8.
Cristo representa aqui o suplicante solicitando, para que pudesse dar. Precisa obter pão, senão não pode suprir as necessidades de um viajante cansado e retardatário. Embora o vizinho não queira ser importunado, não desanimará seu pedido; o amigo precisa ser auxiliado; e finalmente a sua importunação é recompensada; seus desejos são satisfeitos.
Do mesmo modo os discípulos deveriam solicitar bênçãos de Deus. No alimentar a multidão e no sermão sobre o pão do Céu, Cristo lhes descobrira sua obra como representantes Seus. Deviam dar ao povo o pão da vida. Ele que lhes designara a obra, viu quantas vezes sua fé seria provada. Freqüentemente se lhes deparariam situações imprevistas e reconheceriam sua insuficiência humana. Pessoas famintas do pão da vida iriam ter com eles, e eles se sentiriam destituídos de recursos. Precisavam receber alimento espiritual, pois de outro modo nada teriam para repartir. Não deviam, porém, despedir pessoa alguma sem alimentá-la. Cristo lhes apontou a fonte de provisão. O homem não despediu o amigo que a ele recorreu para hospedar-se, embora chegasse à hora inoportuna da meia-noite. Nada tinha para apresentar-lhe, mas recorreu a alguém que tinha alimento e insistiu em sua petição até o vizinho lhe suprir a necessidade. E não supriria Deus, que enviou Seus servos para alimentar os famintos, o de que precisassem para Sua própria obra?
Mas o vizinho egoísta da parábola não representa o caráter de Deus. A lição é tirada, não por comparação, mas por contraste. O homem egoísta atenderá a um pedido urgente, para livrar-se de alguém que lhe perturba o repouso. Deus, porém, Se deleita em dar. É cheio de compaixão e anseia por atender às petições dos que a Ele recorrem pela fé. Dá-nos para que sirvamos a outros e deste modo nos assemelhemos a Ele. Cristo declara: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.” Luc. 11:9 e 10.
O Salvador continua: “Qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?” Luc. 11:1-13.
Para fortalecer-nos a confiança em Deus, Cristo nos ensina a dirigirmo-nos a Ele por um nome novo, um nome enlaçado com as mais caras relações do coração humano. Concede-nos o privilégio de chamar o infinito Deus de nosso Pai. Este nome dito a Ele ou dEle, é um sinal de nosso amor e confiança para com Ele, e um penhor de Sua consideração e parentesco conosco. Pronunciado ao pedir Seu favor ou bênçãos, soa-Lhe aos ouvidos como música. Para que não julgássemos presunção invocá-Lo por este nome, repetiu-o muitas vezes. Deseja que nos familiarizemos com este trato.
Deus nos considera filhos Seus. Redimiu-nos do mundo indiferente, e nos escolheu para tornar-nos membros da família real, filhos e filhas do celeste Rei. Convida-nos a nEle confiar, com confiança mais profunda e mais forte que a do filho no pai terrestre. Os pais amam os filhos, mas o amor de Deus é maior, mais largo e mais profundo do que jamais pode sê-lo o amor humano. É incomensurável. Portanto, se os pais terrestres sabem dar boas dádivas a seus filhos, quanto mais não dará nosso Pai do Céu o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?
As lições de Cristo referentes à oração devem ser ponderadas cuidadosamente. Há uma ciência divina na oração, e Sua ilustração apresenta-nos princípios que todos necessitam compreender. Mostra qual é o verdadeiro espírito da oração, ensina a necessidade de perseverança ao expormos nossas súplicas a Deus, e nos assegura Sua boa vontade de ouvir as orações e a elas atender.
Nossas orações não devem ser uma solicitação egoísta, meramente para nosso próprio benefício. Devemos pedir para podermos dar. O princípio da vida de Cristo deve ser o princípio de nossa vida. “Por eles Me santifico a Mim mesmo”, disse, referindo-Se aos discípulos, “para que também eles sejam santificados.” João 17:19. A mesma devoção, o mesmo sacrifício, a mesma submissão às reivindicações da Palavra de Deus, manifestos em Cristo, devem ser vistos em Seus servos. Nossa missão no mundo não é servir ou agradar a nós mesmos; devemos glorificar a Deus, com Ele cooperando para salvar pecadores. Devemos suplicar de Deus bênçãos para partilhar com outros. A capacidade de receber só é preservada compartilhando. Não podemos continuar recebendo os tesouros celestiais sem os transmitir aos que estão ao nosso redor.
Na parábola, o suplicante foi repelido várias vezes; porém não desistiu de sua intenção. Assim, nossas orações nem sempre parece serem atendidas imediatamente; mas Cristo ensina que não devemos cessar de orar. A oração não se destina a efetuar qualquer mudança em Deus, deve elevar-nos à harmonia com Ele. Ao Lhe fazermos alguma petição, pode ver que nos é necessário examinar o coração e arrepender-nos do pecado. Por isso nos faz passar por dificuldades, provações e humilhações, para que vejamos o que impede em nós a operação do Espírito Santo.
Há condições para o cumprimento das promessas de Deus, e a oração nunca pode substituir o dever. “Se Me amardes”, diz Cristo, “guardareis os Meus mandamentos.” João 14:15. “Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, este é o que Me ama; e aquele que Me ama será amado de Meu Pai, e Eu o amarei e Me manifestarei a ele.” João 14:21. Aqueles que apresentam suas petições a Deus, reivindicando Sua promessa, enquanto não satisfazem as condições, ofendem a Jeová. Apresentam o nome de Cristo como autoridade para o cumprimento da promessa, porém não fazem aquilo que demonstraria fé em Cristo e amor a Ele.
Muitos infringem a condição sob a qual são aceitos pelo Pai. Devemos examinar minuciosamente o ato de confiança de nos achegarmos a Deus. Se somos desobedientes apresentamos ao Senhor uma nota para ser paga, quando não preenchemos as condições que no-la tornaria pagável. Expomos a Deus Suas promessas e Lhe pedimos cumprir as mesmas, quando se o fizesse desonraria Seu nome. A promessa é: “Se vós estiverdes em Mim, e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” João 15:7. E João declara: “Nisto sabemos que O conhecemos: se guardarmos os Seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-O e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a Sua Palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nEle.” I João 2:3-5.
Um dos últimos mandamentos de Cristo aos discípulos, foi: “Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei a vós.” João 13:34. Obedecemos a este mandamento, ou cultivamos rudes traços de caráter diferentes dos de Cristo? Se causarmos de qualquer maneira dores e tristezas a outros, é nosso dever confessar nossa falta e procurar reconciliação. Esta é uma preparação essencial para nos podermos achegar pela fé a Deus para Lhe solicitar as bênçãos.
Há ainda outro ponto freqüentemente negligenciado por aqueles que procuram a Deus em oração. Tendes sido fiéis para com vosso Deus? O Senhor declara pelo profeta Malaquias: “Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos Meus estatutos e não os guardastes; tornai vós para Mim, e Eu tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar? Roubará o homem a Deus? Todavia vós Me roubais e dizeis: Em que Te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas.” Mal. 3:7 e 8.
Como Doador de todas as bênçãos, Deus requer certa porção de tudo quanto possuímos. Esta é uma providência para sustentar a pregação do evangelho. Restituindo a Deus essa parte, testemunharemos nosso apreço por Suas dádivas. Como podemos, pois, reivindicar Suas bênçãos, se retemos o que Lhe pertence? Como podemos esperar que nos confie coisas celestiais, se somos mordomos infiéis das terrenas? Pode ser que nisso esteja o segredo das orações não atendidas.
Em Sua grande misericórdia, porém, o Senhor está pronto a perdoar, e diz: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa, e depois fazei prova de Mim, … se Eu não vos abrir as janelas do Céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança. E, por causa de vós, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; e a vide no campo vos não será estéril. … E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos.” Mal. 3:10-12.
O mesmo se dá com todos os reclamos de Deus. Todas as dádivas são prometidas sob a condição de obediência. Deus tem um Céu cheio de bênçãos para aqueles que com Ele cooperarem. Todos quantos Lhe são obedientes podem com confiança pedir o cumprimento de Suas promessas.
Devemos, porém, mostrar firme e inabalável confiança em Deus. Às vezes Ele tarda a responder para provar-nos a fé ou experimentar a sinceridade de nosso desejo. Havendo nós pedido em harmonia com Sua Palavra, devemos crer em Sua promessa, e insistir em nossas petições com determinação inabalável.
Deus não nos diz: Pedi uma vez, e dar-se-vos-á. Requer que peçamos. Persistir incansavelmente em oração. A súplica persistente põe o peticionário em atitude mais fervorosa, e dá-lhe maior desejo de receber o que pede. Junto ao túmulo de Lázaro, Cristo disse a Marta: “Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” João 11:40.
Muitos, porém, não possuem fé viva. Esta é a razão de não provarem mais do poder de Deus. Sua fraqueza é conseqüência da incredulidade. Têm mais fé em seu próprio recurso do que na operação de Deus por eles. Procuram guardar-se a si mesmos. Planejam e arquitetam, mas oram pouco e têm pouca confiança real em Deus. Pensam possuir fé, mas é somente o impulso do momento. Por não reconhecerem sua própria necessidade ou a voluntariedade de Deus em dar, não perseveram em apresentar perante o Senhor suas súplicas.
Nossas orações devem ser tão fervorosas e persistentes, quanto a petição do amigo necessitado que solicitava os pães à meia-noite. Quanto mais sincera e perseverantemente pedirmos, tanto mais íntima será nossa união espiritual com Cristo. Receberemos maiores bênçãos, porque possuímos maior fé.
Nossa parte é orar e crer. Vigiai em oração. Vigiai e cooperai com o Deus que ouve as orações. Lembrai-vos de que “somos cooperadores de Deus”. I Cor. 3:9. Falai e procedei em harmonia com vossas orações. Fará diferença infinita para vós, se a provação manifestar que vossa fé é genuína, ou que vossas orações são apenas formais.
Quando surgirem perplexidades, e dificuldades vos confrontarem, não espereis auxílio de homens. Confiai inteiramente em Deus. O costume de contar as dificuldades a outros, só nos torna fracos e não lhes traz força. Sobrecarrega-os com o fardo de nossas fraquezas espirituais, que não podem remediar. Procuramos os recursos de homens errantes e finitos, quando poderíamos ter a força do Deus infalível e infinito.
Não precisamos ir aos extremos da Terra em busca de sabedoria, porque Deus está perto. Não é a capacidade que agora possuímos ou havemos de possuir, que nos dará êxito. É o que o Senhor pode fazer por nós. Deveríamos depositar muito menos confiança no que o homem é capaz de fazer, e muito mais no que Deus pode fazer para cada alma crente. Anseia Ele que Lhe estendamos as mãos pela fé. Anseia que esperemos grandes coisas dEle. Anela dar-nos sabedoria, tanto nos assuntos temporais como nos espirituais. Pode aguçar o intelecto. Pode dar tato e habilidade. Empreguemos nossos talentos na obra, peçamos a Deus sabedoria, e ser-nos-á dada. a Palavra de Cristo como nossa segurança. Não nos convidou a ir a Ele? Nunca nos permitamos falar de modo desesperançado e desanimado. Perderemos muito, se o fizermos. Olhando as aparências e lamentando quando vêm dificuldades e angústias, damos prova de fé doentia e débil. Falemos e procedamos como se a vossa fé fosse invencível. O Senhor é rico em recursos; pertence-Lhe todo o mundo. Pela fé olhemos para o Céu. Contemplemos Aquele que tem luz e poder e eficiência.
Há na fé genuína, firmeza e constância de princípio, e estabilidade de propósito, que nem o tempo nem fadigas podem enfraquecer. “Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos certamente cairão. Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças e subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão.” Isa. 40:30 e 31.
Muitos há que anelam auxiliar a outros, mas sentem que não possuem capacidade ou luz espiritual para partilhar. Apresentem estes as suas petições perante o trono da graça. Rogue pelo Espírito Santo. Deus mantém cada promessa que fez. Com a Bíblia nas mãos, diga: Fiz como disseste. Apresento Tua promessa: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” Luc. 11:9.
Precisamos não só pedir em nome de Cristo, mas também pela inspiração do Espírito Santo. Isto explica o que significa o dito de que: “O mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” Rom. 8:26. Tais orações Deus Se deleita em atender. Quando proferirmos uma oração com fervor e intensidade no nome de Cristo, há nessa mesma intensidade o penhor de Deus de que Ele está prestes a atender à nossa súplica “muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos”. Efés. 3:20.
Cristo disse: “Tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis.” Mar. 11:24.
“Tudo quanto pedirdes em Meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.” João 14:13. E o amado João, sob inspiração do Espírito Santo, diz com clareza e confiança: “Se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que Lhe fizemos.” I João 5:14 e 15. Portanto insistamos em nossas petições ao Pai em nome de Jesus. Deus honrará esse nome.
O arco-íris sobre o trono é a garantia de que Deus é verdadeiro e que nEle não há mudança nem sombra de variação. Temos pecado contra Ele e somos indignos de Seu favor; todavia Ele mesmo nos pôs nos lábios a mais maravilhosa de todas as petições: “Não nos rejeites por amor do Teu nome; não abatas o trono da Tua glória; lembra-Te e não anules o Teu concerto conosco.” Jer. 14:21. Quando a Ele formos confessando nossa indignidade e pecado, Ele Se comprometeu a atender-nos ao clamor. A honra de Seu trono foi-nos dada como penhor do cumprimento de Sua Palavra.
Como Arão, que simbolizava a Cristo, nosso Salvador no santuário celestial traz sobre o coração o nome de Seu povo. Nosso grande Sumo Sacerdote Se lembra de todas as palavras pelas quais nos animou a confiar. Lembra-Se continuamente de Seu concerto.
Todos os que O buscarem, O acharão. A todos os que batem será aberta a porta. Não será dada a desculpa: Não me importunes; a porta está cerrada; não desejo abri-la. Jamais será dito a alguém: Não vos posso auxiliar. Os que pedem pão à meia-noite para alimentar pessoas famintas, serão atendidos.
Na parábola, aquele que solicita pão para o estrangeiro, recebe “tudo o que houver mister”. Luc. 11:8. E em que medida nos dará Deus, para que possamos compartilhar com outros?
“Segundo a medida do dom de Cristo.” Efés. 4:7. Anjos vigiam com intenso interesse para ver como os homens procedem com seu próximo.
Se notam que alguém demonstra para com os errantes simpatia semelhante à de Cristo, agrupam-se em torno dele e lembram-lhe palavras para proferir, que serão para a pessoa como o pão da vida. Assim, “Deus, segundo as Suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus”. Filip. 4:19. Tornará vosso testemunho sincero e real, forte no poder da vida futura. A Palavra do Senhor será em vossa boca verdade e justiça.
Ao trabalho pessoal por outros, deve preceder muita oração particular, pois requer grande sabedoria o compreender a ciência da salvação de pessoas. Antes de comunicar-vos com os homens, comungai com Cristo. Junto ao trono da graça celestial preparai-vos para ministrar ao povo.
Quebrante-se-vos o coração pelo anelo que tem de Deus, do Deus vivo. A vida de Cristo mostrou o que a humanidade pode fazer se participar da natureza divina. Tudo quanto Cristo recebeu de Deus, podemos nós possuir também. Portanto, pedi e recebei. Com a perseverante fé de Jacó, com a invencível persistência de Elias reclamai tudo quanto Deus prometeu.
Que vossa mente seja possuída pelas gloriosas concepções de Deus. Una-se vossa vida, por elos ocultos, à vida de Jesus. Aquele que fez que das trevas resplandecesse a luz, deseja resplandecer em vosso coração para iluminação do conhecimento da gloria de Deus, na face de Jesus Cristo. O Espírito Santo tomará as coisas de Deus e vo-las revelará, transmitindo-as como força viva ao coração obediente. Cristo vos conduzirá ao limiar do Infinito. Podeis contemplar a glória além do véu, e revelar aos homens a suficiência dAquele que vive eternamente para interceder por nós.
Posted on September 3, 2010 - by admin
COMO JESUS TRATOU – OS ENDEMONINHADOS
O coral havia justamente terminado de cantar o hino da manhã. Com um suave agitar das becas, os coristas voltaram para seus lugares e se assentaram. Uma pequena agitação ocorreu na congregação, enquanto as pessoas se moviam em seus assentos, procurando a posição mais confortável para se assentar durante o sermão.
A igreja estava lotada naquela manhã, e havia uma forte excitação no ar, pois o orador tinha uma reputação muito polêmica. Ele não era freqüentemente convidado para expressar suas idéias publicamente, e havia o rumor de que uma cerimônia semelhante havia realmente terminado quase em tumulto. O ancião da plataforma estava compreensivelmente um tanto nervoso, ao olhar para o orador convidado e acenar discretamente, indicando que chegara a hora de ele começar.
O orador mal havia alcançado o púlpito e aberto a boca para falar, quando as portas do fundo do santuário se abriram ruidosamente. Contraindo-se e cambaleando pelo corredor central, um endemoninhado lançou-se na presença de Jesus.
Você pode ler sobre isso em S. Lucas 4:33-36.
”Achava-se na sinagoga um homem possesso de espírito de demônio imundo, e bradava em alta voz.”
A descrição é um pouco humorística – “um demônio imundo!” Afinal quantos demônios limpos existem? Mas, pelo menos podemos pressupor que, como os demônios são, esse demônio em particular era muito mau.
O endemoninhado gritou em alta voz, dizendo: “Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para destruir-nos? Bem sei quem és: O Santo de Deus!”
Note os pronomes – eles são muito interessantes. “Que temos nós contigo?” “Vieste para destruir-nos?” Evidentemente o demônio começou falando por si mesmo, bem como pelo homem que possuía. Mas ele então terminou com: “Bem sei quem és. ” Talvez o homem não entendesse em presença de quem ele havia sido tão violentamente colocado. Mas o demônio certamente reconhecia com quem ele estava confrontando.
Esse deve ter sido um demônio muito nervoso. Talvez ele tenha se sentido especialmente ousado naquele dia quando decidiu interromper o serviço da igreja onde Jesus – Aquele que o havia criado – estava oficiando. Mas, nervoso ou não, ele também não deve ter sido particularmente esperto. Ele deveria saber melhor, pois terminou em derrota – como os demônios sempre terminam na presença de Jesus. Pois,
“Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai desse homem. O demônio, depois de o ter lançado por terra no meio de todos, saiu dele sem lhe fazer mal. Todos ficaram grandemente admirados e comentavam entre si, dizendo: Que palavra é esta, pois, com autoridade e poder ordena aos espíritos imundos, e eles saem?”
Na Bíblia há sete situações relatadas do confronto de Jesus com os demônios. Antes que continuemos, considerando a segunda ocasião, por favor note três coisas:
1. O contato e conversação de Jesus com o demônio foi breve.
2. O demônio foi forçado a deixar imediatamente sua vítima.
3. Pelo menos nesse caso particular, nenhum intercessor estava presente.
Ninguém esteve envolvido em trazer o homem afligido a Jesus, ou em buscar o auxílio de Jesus em seu favor. Ele veio sozinho. Na verdade ele não era nem mesmo capaz de pedir auxílio para si mesmo, pois, quando ele tentou falar, o demônio falou através dele. Mesmo assim, Jesus ainda estava apto a livrá-lo e salvá-lo.
O segundo relato, em S. Mateus 9:32 a 34, é muito curto. “Ao retirarem-se eles, foi-Lhe trazido um mudo endemoninhado. E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel!”
Nesse caso houve intercessão, pois diz: “Eles Lhe trouxeram um homem mudo endemoninhado.” Outra vez, entretanto, o encontro foi breve. E a evidência é que os demônios foram forçados a sair imediatamente à palavra de Jesus. As pessoas que trouxeram esse homem a Jesus, não podiam fazer nada para ajudá-lo. Mas eles sabiam o suficiente para trazê-lo a Jesus, e esta é a coisa certa a ser feita. Você não acha? Qualquer um hoje, que conheça alguém que está atormentado ou oprimido ou com um problema, pode seguir o exemplo dessas pessoas em trazer tal pessoa a Jesus. Ele é o Único que tem o poder de trazer cura e restauração.
O terceiro relato se encontra em S. Mateus 12. “Então Lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e Ele o curou, passando o mudo a falar e a ver.” Verso 22.
O relatório continua com um diálogo entre Jesus e os fariseus. Mas esse encontro de Jesus com os demônios, outra vez foi breve e outra vez terminou na total derrota deles. Os líderes religiosos acusaram Jesus de expulsar demônios pelo poder do demônio. Entretanto, Jesus deu-lhes alguns argumentos de difícil resposta e contou-lhes uma parábola sobre uma casa vazia, onde muitos demônios voltaram para tomar o lugar de um. Voltaremos a esse ponto, mas por agora continuemos com o quarto relato.
Este é um dos encontros mais conhecidos – os endemoninhados que foram libertos e os demônios que levaram os porcos pelo despenhadeiro ao mar. Ele está relatado em S. Mateus 8 e S. Lucas 8. Neste caso Jesus envolveu-Se em um breve diálogo com os demônios. De acordo com S. Lucas 8, Ele perguntou: “Qual é o teu nome?”
E eles responderam: “Nosso nome é Legião.” Verso 30.
Nos dias de Cristo, o exército romano, era dividido em legiões. Cada legião era composta de 3 a 5 mil homens. Aparentemente o demônio tinha uma equipe de demônios suficiente para que ele pudesse gastar 3 a 5 mil deles em um ou dois homens!
Um enfoque popular do assunto de exorcismo diz que você tem que falar individualmente com cada demônio e expulsá-los um por um. Se Jesus tivesse usado tal método nessa experiência, provavelmente Ele ainda estivesse lá! Assim, embora haja evidências bíblicas sobre múltiplas possessões, não há evidência de que cada demônio deva ser tratado individualmente. Quando Jesus ordenou, todos eles saíram. Um negócio por atacado, se você permite. Os demônios foram para a manada. E a manada correu para o mar, e o povo veio e suplicou a Jesus que saísse dos limites da sua cidade, antes que eles perdessem mais de seus recursos.
Nesse caso, não houve intercessor. Outra vez, os demônios exibiram falta de juízo ou talvez uma falta de autocontrole, por virem à presença de Jesus voluntariamente. Mas eles eram suficientemente perceptivos para dizerem, como relatado em S. Mateus 8:31: ”Se nos expeles, manda-nos para a manada de porcos.” Eles certamente sabiam qual seria o resultado do encontro!
O quinto relato encontra-se em S. Mateus 15:21-28. Esta é a história da mulher fenícia cuja fé era muito grande. Ela persistiu, permanecendo na presença de Jesus por algumas das migalhas da mesa do Mestre. O problema era que sua filha estava gravemente dominada por um demônio. Ao concluir a conversação, Jesus disse: “Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres.” Mateus conclui seu relato desse milagre dizendo: “E desde aquele momento sua filha ficou sã.”
Havia um intercessor nesse relato, mas a filha que estava possessa não estava nem mesmo presente. Ela recebeu livramento em ausência, poderíamos dizer. Mas, embora ela não estivesse em Sua presença, imediatamente ela foi curada por Sua palavra.
O sexto relato se encontra em S. Marcos 9:14-29. Este é um relato longo. Jesus desceu do Monte da Transfiguração. Ele havia levado três de Seus discípulos em uma viagem especial. Os outros nove estavam com inveja e discutindo entre si quem seria o maior. Nessas condições, eles tentaram tirar os demônios mas, em vez disso, os demônios os tiraram. Embora Jesus nunca perdesse um caso, Seus discípulos perdiam.
Quando Jesus chegou ao local, o pai do menino explicou-Lhe a situação e disse: “… Mas, se Tu podes alguma coisa. …”
Jesus respondeu: “Se podes! Tudo é possível ao que crê.”
Então o homem respondeu: “Eu creio, mas, evidentemente, não creio o suficiente. Por favor, ajuda-me na minha falta de fé.”
Jesus levantou o menino e houve uma grande libertação naquele dia. Depois que a multidão foi embora, os discípulos perguntaram a Jesus por que eles não tinham sido aptos a expulsar os demônios, Jesus então disse: “Esta casta não pode sair senão por meio de oração [e jejum].” Mar. 9:29; Mat. 17:21.
Mas Jesus, que expulsou o demônio, não tinha estado jejuando, tanto quanto nós sabemos. E fácil tomarmos uma interpretação natural disso e pensar que Deus, de alguma maneira, é impressionado se nos privamos do alimento. Mas isso não combina com o que Jesus disse sobre Deus, que está desejoso de dar boas dádivas aos Seus filhos. Os dons de Deus não são ganhos – eles são dados livremente. Assim, o que Jesus queria dizer?
Jesus estava falando do contínuo relacionamento com o Pai. Ele não tentou apresentar a Si mesmo como superior em algum tipo de grandeza espiritual apenas para essa ocasião. Ao contrário, ele gastava tempo cada dia em comunhão e companheirismo com o Pai. Isso era mais importante para Ele do que comer. Era através desse relacionamento que Ele Se mantinha sob o controle do Pai e estava pronto para cada observação momentânea ou qualquer tipo de astúcia do diabo que Ele tivesse que enfrentar.
Por outro lado, Seus discípulos não haviam gasto a noite ou início da manhã em companheirismo com o Céu como Ele tinha feito. Eles haviam adormecido, enquanto discutiam entre si quem seria o maior.
Por sua própria escolha, eles haviam se separado do poder do Céu e foram assim deixados a encontrar o inimigo em sua própria fragilidade.
Se a qualquer momento tentássemos enfrentar o poder da escuridão por nós mesmos, seguramente seríamos vencidos. A menos que tenhamos o poder de Jesus, seria pura tolice até mesmo tentarmos um confronto com o diabo. Ele é mais forte do que nós, e sempre levará vantagem. Somente o poder de Jesus é suficientemente forte para vencer o inimigo, e esse poder está disponível para cada um de nós, através de um relacionamento diário com Ele.
Nós não apenas somos incapazes de lidar com a possessão do diabo na sua mais extrema forma, mas somos também incapazes de lidar com as tentações e astúcia do diabo em nossa própria vida. Não podemos vencer o pecado em nossa própria força, mas somente através da força do Céu, ao irmos a Jesus e permitirmos que Ele lute por nós.
Finalmente o sétimo relato – encontra-se em S. Marcos 16:9. Aqui, não temos uma história como nos outros casos. Temos apenas uma referência a alguma coisa que já havia acontecido.
“Havendo Ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios.”
Provavelmente poderíamos especular sobre isso, sobre se Jesus expulsou os sete demônios todos de uma vez, ou expulsou os demônios de Maria em sete vezes diferentes. Estou escolhendo a última possibilidade por causa da parábola que Jesus contou em S. Mateus 12. Voltemos aos versos 43 e 45.
”Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa.”
O que Jesus está dizendo? Que há alguma coisa mais importante do que expulsar o diabo para fora de você. Também é necessário mantê-lo fora. Não é verdade? E Maria teve que aprender isso – evidentemente de um modo difícil.
Uma pessoa pode conhecer um poderoso livramento do pecado – mesmo da possessão do diabo – mas a menos que conheça uma conexão vital com Deus e um contínuo companheirismo com Ele dia a dia, através do estudo da Bíblia e da oração, isso não será suficiente.
O pecado nunca é mantido expulso por nós. Ele só é conservado fora, quando Jesus entra.
Podemos tirar várias conclusões desses relatos:
Primeiro, quando Jesus expulsa os demônios, Ele os expulsa imediatamente.
Segundo, Ele lança todos os demônios para fora de uma vez, não um por vez.
Terceiro, às vezes há um intercessor, às vezes não. Evidentemente não é essencial ter um intercessor.
Quarto, expulsar demônios não é grande coisa! Em S. Lucas 10, quando os setenta voltaram e disseram: “Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo Teu nome!”, Jesus disse, essencialmente: “É? Satanás foi lançado do Céu muito tempo atrás, ele é um inimigo derrotado.” Veja versos 17 a 20.
Como Jesus tratou os endemoninhados? É uma boa nova. Era uma boa nova na Palestina; é uma boa nova hoje. Jesus nunca perdeu um caso. Os demônios gritaram por misericórdia em Sua presença. Portanto, eles não são nada para nos assustar, pois o poderoso nome de Jesus ainda é o maior poder na Terra. Através de Seu poder, podemos ser libertados do poder do inimigo.
Posted on September 2, 2010 - by admin
COMO JESUS TRATOU – OS CAÍDOS
Na pequena vila de Betânia, cerca de seis quilômetros de Jerusalém, moravam duas irmãs, Maria e Marta, e seu irmão Lázaro. Aparentemente, Lázaro era o mantenedor da família. O pai e a mãe já haviam morrido. Assim, Maria, Marta e Lázaro moravam juntos nessa pequena vila.
Você pode ver Lázaro indo ao trabalho cada dia carregando seu almoço, voltando para casa cansado, quem sabe, ouvindo as notícias do dia, indo para a cama – somente para começar tudo outra vez no dia seguinte.
Marta era o tipo da “Marta”! Ela podia preparar refeições para um grande grupo, uma festa de casamento ou um piquenique de igreja. Ela nunca se sentia mais feliz do que quando ia para a cozinha experimentar uma nova receita. Marta era uma boa pessoa. Ela nunca fazia nada errado. Provavelmente a pior coisa que ela fez foi lamber as pontas dos dedos quando removia alguma massa da batedeira. Ela era religiosa. Era muito difícil não ser assim naquele tempo e naquela localidade. Cada sábado, pela manhã, ela descia pelo trilho de sua casa até a sinagoga.
Maria, por outro lado, era mais interessada no cenário social. Ela amava as pessoas. Sempre que houvesse uma reunião social da igreja ou um piquenique, ela era sempre convidada a saudar as pessoas e ajudá-las a se sentir em casa. Ela era atraente – talvez até demais.
Maria, porém, carregava uma carga secreta de culpa e miséria que ninguém suspeitava. Isso tinha que ver com seu tio Simão. Simão o fariseu.
Os fariseus gozavam de bons conceitos naqueles dias. Hoje não, mas naquele tempo eram bem conceituados. Se alguém fosse questionado sobre o que seu filho estava fazendo, ele nunca estaria mais feliz do que dizer: “Meu filho é um fariseu.”
Assim, Simão tinha bom conceito em Betânia. Ele era um líder da igreja. Era respeitado na comunidade. As pessoas até o respeitavam por sua íntima associação com a família de Maria, Marta e Lázaro. Como parente chegado, esperava-se que ele cuidasse de seus sobrinhos. Um dia, porém, Simão começou a olhar muito para Maria e, estando na posição que ocupava, ele logo levou Maria a ceder às suas exigências.
Aparentemente ninguém sabia o que estava acontecendo. Simão continuava a liderar na sinagoga. Maria continuava a sorrir, brincar, agradar e a atrair. Porém, a carga de culpa que ela levava era quase insuportável.
Algumas vezes ela tentou arrazoar com seu tio – tentando libertar-se de seu controle. Porém, as mulheres não eram muito ouvidas naqueles dias, e eram suas palavras contra as dele. Ele ameaçou-a com exposição em público e até mesmo a morte. Ele culpou-a pelo problema em primeiro lugar. E Maria finalmente perdeu a esperança de um dia ser livre novamente.
Como acontece freqüentemente, quando uma pessoa religiosa se envolve em pecado secreto, Maria começou a tentar punir-se. Ela era constantemente relembrada pelos cordeiros, e pelo sangue, pelo sacrifício da manhã, da tarde, que alguém tem que pagar. E se você está tentando por você mesmo pagar seus próprios pecados e tentando punir-se, um dos melhores métodos é cometer o mesmo pecado outra vez. Isso fará você sentir-se pior. E fazer você sentir-se pior é uma forma convincente de autopunição.
Se a autopunição continua, você comete o mesmo pecado, vez após vez, até que finalmente há apenas uma coisa para ser feita – pular de uma ponte de algum lugar como forma final de autopunição.
Assim, Maria começou a tentar punir-se, e como resultado ela chegou a ser conhecida ao redor da cidade como uma mulher perdida. As mães falavam por cima das cercas: “Você ouviu falar de Maria?”
“Sim.”
“Cuidado com Maria. Mantenha seus filhos longe dela.”
A conversa continuava a se espalhar até que um dia as coisas ficaram tão mal para Maria em Betânia, que ela resolveu ir embora dali. Ela encaixotou seus pertences e viajou montanha abaixo passando por sete colinas até que chegou a uma pequena vila perto do mar, chamada Magdala. Mais tarde ela tornou-se conhecida como Maria de Magdala ou Maria Madalena.
Posso vê-la indo para Magdala, determinada a começar uma nova vida. Ela procura emprego. Ela tenta a loja local, mas eles não precisam dela ali. Ela tenta o mercado, porém eles tinham todos os empregados necessários. Talvez ela tenha tentado até mesmo como cozinheira em Magdala, esperando utilizar umas poucas coisas que aprendera com Marta. Porém, eles não necessitavam de qualquer auxílio.
Após caminhar pelas ruas de Magdala, procurando emprego e sentindo fome, um dia Maria cede à tentação de ganhar algum dinheiro fácil: “Por que não? Você já está nisso. Há mais cordeiros de onde os outros vieram.”
Facilmente Maria conseguiu encontrar aqueles dispostos a pagar o seu preço e, surpreendentemente, teve também muita aceitação. Porém, sua carga de culpa torna-se cada vez mais pesada. Para ela era cada vez mais difícil esquecer os dias felizes em Betânia, antes da morte de seus pais, antes de Simão – os dias nos quais ela havia conhecido a paz.
Um dia, um Pregador itinerante veio à vila de Magdala. Ele não foi à sinagoga para pregar. Ali não haveria lugar para a multidão. Ele falou ao povo lá fora ao ar livre. Ele disse coisas como: “Vinde a Mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e Eu vos aliviarei.” S. Mateus 11:28. ”… todo aquele que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora. “S. João 6:37. ”… não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento.” S. Mateus 9:13.
Maria se manteve hesitantemente ouvindo na borda da multidão. Ela nunca tinha ouvido antes coisas assim. Enquanto ouvia, sentiu o coração estranhamente aquecido. Ela esperou até que a multidão saísse e então foi a Ele e mostrou sua grande necessidade de auxílio.
O pregador itinerante ajoelhou-Se e orou por ela a Seu Pai, para que ela pudesse ter a esperança de que necessitava. Maria aceitou um novo Mestre. O diabo foi vencido e Maria converteu-se exatamente ali.
Que bela história!
Eu gostaria de poder dizer que a história terminou aí e que Maria viveu feliz desde então. Porém, não foi exatamente assim, porque o Pregador saiu da cidade e Maria, não. Talvez ela devesse ter ido. Ali em Magdala estavam as mesmas pessoas, os mesmos amigos, as mesmas vozes no mercado que chamariam o seu nome. Ao passarem os dias, Maria descobriu que embora tivesse aceito a paz que o Pregador havia oferecido, a influência para “baixo” era muito forte. E Maria caiu.
Nessa história temos um dos mais belos exemplos em toda a Bíblia, de como Jesus tratava os caídos, os perdidos.
Jesus veio à cidade outra vez. Outra vez as multidões reuniram-se ao redor dEle ouvindo-O. Outra vez Maria encontrou seu caminho no meio da multidão, admirada – admirada de que aquilo pudesse ser verdade. Sim. Ele ainda estava dizendo: “… O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora. ” Isto ainda era bom.
Ela foi a Ele e descobriu que Ele ainda a aceitava. Outra vez revelou suas necessidades com lágrimas. E outra vez, Ele ajoelhou-Se e clamou a Seu Pai em favor dela. E outra vez Jesus saiu da cidade e Maria, não.
Eu gostaria de dizer que este foi o fim da história. Porém, Maria caiu outra vez, e outra vez e outra vez. Porém, toda vez que Jesus vinha à cidade Maria estava na multidão. Ela era sempre atraída por Aquele que dizia: “O que vem a Mim, de modo nenhum o lançarei fora.”
Então, um dia Maria recebeu um convite para ir a Jerusalém. Talvez os mensageiros tivessem oferecido uma grande quantia de dinheiro por seus serviços. Talvez tivessem oferecido projetos de um casamento. Ou possivelmente tivessem lhe dito que ela era necessária em casa – que seu tio Simão os havia enviado a ela. Seja qual tenha sido o método, Maria foi dominada. E a exposição pública que ela havia temido por muito tempo tornou-se uma realidade.
A porta do apartamento que havia sido providenciado se abriu. Altas vozes denunciaram-na como pecadora, merecendo morrer. Mãos rudes a agrediram e a empurraram para a rua. Maria fechou os olhos e desejou a morte.
Ela foi forçada através das multidões e lançada na presença de Jesus. Gritos de acusação enchiam o ar enquanto Maria se encolhia ali, tremendo, esperando as pedradas finais. É claro que ela havia lotado seu cálice de culpa – nem mesmo Jesus estaria apto a ajudá-la agora.
Enquanto ela esperava ali, em seu temor e vergonha o som da multidão começou a diminuir. Maria se encolheu para receber a primeira pedrada. Mas, em vez disso, ela ouviu uma voz gentil perguntando: “Onde estão os seus acusadores? Nenhum homem a condenou?”
Maria ergueu a cabeça, todos os seus acusadores tinham desaparecido. Incrédula, ouviu as palavras de Jesus: “Nem Eu a condeno, vai e não peque mais.” Outra vez Maria ajoelhou-se aos pés de Jesus clamando por Seu perdão, por Seu poder. Veja S. João 8. Naquele dia Maria aprendeu uma coisa que ela não tinha aprendido antes – e que nós precisamos aprender hoje.
Ela aprendeu que era possível encontrar Jesus através de Sua Palavra – orar a Ele onde quer que ela estivesse. Ela aprendeu que era possível ficar aos pés de Jesus, mesmo quando Ele não estivesse na cidade. Você já descobriu isso? E difícil pecar quando você está assentado aos pés de Jesus. Aí está o poder.
E mesmo que Jesus seguisse Seu caminho, Maria estava pronta a continuar a Seus pés, buscando-O e permanecendo em Sua presença.
E então Maria teve uma idéia brilhante. Por que não voltar para casa em Betânia, para Marta e Lázaro? Tão logo a idéia surgiu, o próprio sangue começou a cantar em suas veias. Certamente o poder de Jesus seria suficiente até mesmo para lidar com seu tio Simão. Assim, ela arrumou seus pertences e se dirigiu para Betânia.
Ao avistar a cidade, ela começou a ouvir um solitário clamor comum naqueles dias. Quanto mais se aproximava, mais claro o som se tornava. Era um leproso, do lado de fora dos muros da vila de Betânia.
Aquele som era comum. Naqueles dias, a lepra era chamada o flagelo – o dedo de Deus. A lepra era considerada um julgamento. Na verdade, qualquer doença era considerada um castigo pelo pecado. Porém, a lepra era a pior. Não fazia diferença se você era o líder da cidade, um líder na sinagoga ou um fariseu. Se você ficasse leproso, seria declarado impuro ou imundo. Você seria lançado para fora da cidade. Você se assentaria ao lado da estrada divulgando sua calamidade gritando: “Imundo, imundo”, suplicando a alguém que lhe jogasse um pouco de pão.
Assim, ao aproximar-se, Maria notou o clamor, até que subitamente ela reconheceu alguma coisa na voz que gritava “imundo”, era Simão seu tio que a havia levado ao pecado.
E quando eu ouvi isso, eu disse a mim mesmo: “Ótimo! Bem feito para Simão! Que ele apodreça ao lado da estrada.” Isso lhe dá uma idéia do que eu penso.
Maria puxou sua manta ao redor do rosto e foi à vila de Betânia, tentando desenvolver a idéia de que ela não tinha mais nada a temer de Simão, o fariseu.
Ela estava tão ansiosa por ver novamente Marta e Lázaro. Subiu rapidamente os degraus até a porta. Uma alegre reunião se seguiu e as lágrimas fluíram mais uma vez, pois a família estava unida.
Mas, as notícias começaram a se espalhar ao redor: “Maria está de volta.” “Cuidado com Maria!” “Você ouviu o que aconteceu em Jerusalém?”
“Dizem que ela está mudada.”
“Bem, ela não vai agüentar por muito tempo.”
“Eu já ouvi que ela já mudou antes e nunca durou.”
“Cuidado com ela.”
Era assim que as pessoas falavam naqueles dias.
Era difícil para Maria suportar os cochichos e mexericos. Mas, ela resistiu, determinada a partilhar com alguém mais as novas sobre o Amigo que ela havia encontrado, o Amigo que sempre a amava e a aceitava. O Amigo que não a condenara, mas que lhe deu poder para não mais pecar. Ela queria que outros encontrassem o Amigo, em cujos pés ela gostava de assentar-se. E ela esperou ansiosamente pelo tempo em que Ele visitaria a cidade de Betânia.
Logicamente Ele o fez. Um dia Jesus viajou pelas montanhas até Betânia, com Seus doze companheiros. Ao chegar à cidade, Ele também ouviu o clamor que Maria tinha ouvido – “Imundo, imundo!” Parece quase impossível compreender. Mas Jesus achava difícil passar pelos leprosos. Ele não podia passar por eles e deixá-los para trás, mesmo quando nove décimos deles nem se deram ao trabalho de dizer-Lhe “muito obrigado”.
Assim, Jesus parou ao clamor de Simão, o Leproso. Ele tocou o intocável e o fez perfeito novamente – exatamente assim. Ele não insistiu que Simão primeiro O aceitasse como Salvador. Ele simplesmente o purificou.
Eu costumava pensar que as únicas pessoas curadas fossem aquelas quase prontas para a trasladação, mas Jesus curou Simão, o pecador, o impuro, o imundo, o não-arrependido – quando ele não tinha nem mesmo aceitado Jesus como Salvador. Jesus curou Simão completamente, por aquilo que Jesus era e não pelo que Simão era.
Você já imaginou como Maria deve ter se sentido quando ouviu as notícias? Talvez Jesus tenha lhe confirmado que o poder de Simão sobre ela já estava rompido.
A cura, porém, é alguma coisa muito pesada para ser colocada sobre um fariseu. Um fariseu é acostumado a obter suas recompensas. Essa dádiva de Jesus era demais para Simão receber. Assim, após ele ter voltado a Betânia e sido reintegrado em sua posição na vila, você o vê agitando-se e revirando-se à noite, caminhando pela rua de dia, tentando imaginar o que faria. Ele não estava apto a receber ou merecer tal cura. Porém, subitamente, ele teve uma idéia. Ele não tinha merecido isso antes, mas, por que não merecer depois? Simão disse a si mesmo: “Eu vou pagar a esse Homem pelo que Ele fez. Vou fazer uma festa em Sua honra. ” Veja S. Mateus 26; e S. João 12.
Agora a mente de Simão estava acelerada. Marta seria a pessoa encarregada de preparar o jantar – isto era aceitável, tudo bem. Mas Maria não foi convidada. Simão estava se sentindo incomodado com a presença de Maria. Quem sabe? A lepra pode ter vindo sobre ele por causa de seu envolvimento com ela – era melhor não arriscar.
Quando a noite do banquete chegou, Maria ficou em casa. Ela gostaria de estar com a multidão de pessoas, embora algumas delas ainda ficassem frias com sua aproximação. Porém, o que realmente desapontou Maria era o fato de que ela não pudesse ver Jesus.
Maria tinha ouvido Jesus dizer, havia pouco tempo, que Ele iria a Jerusalém e que lá Ele seria traído nas mãos de pecadores. Eles iriam levá-Lo à morte. Com grande despesa pessoal, Maria tinha adquirido um frasco de óleo de alabastro para ungir Jesus após Sua morte. Contudo, Maria não gostava da idéia de dar flores no funeral. Ela desejava dar sua dádiva de amor a Jesus agora.
Subitamente ela apanhou seu frasco de perfume e apressou-se pelas ruas de Betânia, planejando enquanto caminhava. Ela corre através da porta dos fundos e passa pela cozinha. Marta tenta pará-la, mas nada pode deter Maria. Ela se move silenciosamente através da sala escurecida, iluminada apenas por aquelas pequenas lâmpadas de óleo de oliva, até o lugar onde Jesus está assentado. Seu plano é abrir o frasco de óleo de alabastro, ungir os pés de Jesus e sair. E ninguém jamais saberá.
Mas ela se esqueceu de uma coisa. Quando você abre um frasco de alabastro do mais caro óleo, ele grita.
Agora todos os olhos estão voltados para ela. Ali está Simão, na ponta da mesa, apunhalando-a com o olhar. Ali estão Judas e todos os outros. Ela enche a mão de óleo. Ele exala o odor. Ela havia se esquecido de trazer uma toalha ou qualquer coisa para enxugá-lo. Então Maria faz o que naqueles dias era imperdoável – somente uma mulher da rua soltaria o cabelo. Mas ela não pensa nisso. Ela se abaixa e começa a secar o óleo com os cabelos.
Simão, na ponta da mesa, pensa consigo mesmo: “Se esse Homem fosse realmente um profeta, Ele saberia que tipo de mulher ela é.”
Nesse momento, Maria ouve as palavras amáveis de Jesus: “Deixe-a. Ela fez uma boa coisa. E onde quer que o evangelho seja pregado esta história sobre Maria será contada.”
Então Jesus Se volta para Simão e diz: “Simão.” E bem ali está Simão com as palmas das mãos úmidas. Jesus diz: “Simão, eu tenho algo para lhe dizer.” Simão se encolhe, esperando que a máscara lhe seja arrancada do rosto. Ele já ouvira sobre esse Jesus que podia ler os pensamentos das pessoas, e preparou-se para o pior.
Jesus, porém, conta uma pequena história sobre dois devedores, um dos quais devia uma grande quantia e o outro uma pequena divida. Ambos os devedores foram livremente perdoados. Veja S. Lucas 7. Ninguém compreendeu a história, exceto Simão, Maria e Jesus. Mas Simão recebeu a mensagem. Será que ele captou realmente a mensagem?
Simão foi subjugado pelo amor e compaixão de um Homem que podia tê-lo exposto por aquilo que realmente ele era, mas que, em vez disso, velou Sua mensagem com uma parábola e protegeu-o de seus amigos.
O coração de Simão foi quebrado. Ele descobriu tudo que Jesus tinha feito por ele e que ele jamais poderia retribuir. E bem ali, em sua própria festa, Simão aceitou a Jesus como Mestre, Salvador e Senhor. Jesus também conquistou Simão. Que história!
E se Jesus pôde aceitar Maria e Simão, certamente Ele está apto a aceitar você e eu, hoje, perdoar-nos e amar-nos até o fim.
Posted on September 2, 2010 - by admin
Parábolas de Jesus – Como é Alcançado o Perdão
Pedro se achegou a Cristo, com a pergunta: “Até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?” Mat. 18:21. Limitavam os rabinos o exercício do perdão até três ofensas. Pedro, que, como cuidava, seguia os ensinos de Cristo, ampliou-o até sete, o número que indica perfeição. Cristo, porém, ensinou que nunca nos devemos fatigar de perdoar. Não “até sete”, disse Ele, “mas até setenta vezes sete”. Mat. 18:22.
Mostrou, então, o verdadeiro motivo pelo qual o perdão deve ser concedido, e o perigo de acariciar espírito irreconciliável. Numa parábola, contou o procedimento de um rei para com os oficiais que administravam os negócios de seu domínio. Alguns desses oficiais recebiam grandes somas de dinheiro pertencentes ao Estado. E quando o rei investigava a administração desse depósito, foi-lhe apresentado um homem cuja conta mostrava uma dívida para com seu senhor, da imensa soma de dez mil talentos.
Nada tinha ele com que pagar e, segundo o costume, o rei ordenou que fosse vendido com tudo quanto tinha, para que se fizesse o pagamento. Terrificado, porém, o homem prostrou-se aos seus pés, e suplicou-lhe, dizendo: “Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então, o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida.
“Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem dinheiros e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então, o seu companheiro, prostrando-se aos seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então, o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.” Mat. 18:26-34.
Esta parábola apresenta pormenores necessários ao remate do quadro, mas não têm homólogos em sua significação espiritual. A atenção não deve ser divergida para eles. São ilustradas certas verdades importantes, e estas devemos entender.
O perdão concedido por esse rei representa o perdão divino de todo pecado. Cristo é representado pelo rei que, movido de compaixão, perdoou a dívida de seu servo. O homem estava sob a condenação da lei quebrantada. Não podia salvar-se por si mesmo, e por esse motivo veio Cristo ao mundo, velando Sua divindade com a humanidade, e deu Sua vida – o Justo pelo injusto. Entregou-Se por nossos pecados, e oferece livremente a todos o perdão comprado com Seu sangue. “No Senhor há misericórdia, e nEle há abundante redenção.” Sal. 130:7.
Eis a razão por que devemos ter compaixão de pecadores como nós também. “Se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros.” I João 4:11. “De graça recebestes”, diz Cristo, “de graça dai.” Mat. 10:8.
Na parábola, quando o devedor solicitou um prazo, com a promessa: “Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei”, a sentença foi revogada. Foi cancelada toda a dívida. E logo lhe foi concedida a oportunidade de seguir o exemplo do mestre que lhe tinha perdoado. Saindo, encontrou um conservo que lhe devia uma pequena soma. A ele lhe haviam sido perdoados dez mil talentos, o conservo devia-lhe cem dinheiros. Todavia, ele que havia sido tratado tão misericordiosamente, procedeu com o conservo de maneira inteiramente oposta. O devedor fez-lhe um apelo semelhante ao que fizera ao rei, porém, com resultado diferente. Ele, que fora perdoado recentemente, não foi magnânimo nem piedoso. O perdão que lhe foi demonstrado, não o exerceu em relação a seu conservo. Não atendeu ao pedido de ser generoso. A diminuta soma a ele devida era tudo o que pensava o servo ingrato. Exigiu tudo que cuidava lhe ser devido, e levou a efeito uma sentença idêntica à que lhe fora revogada tão graciosamente.
Quantos hoje em dia não manifestam o mesmo espírito! Quando o devedor pediu ao seu senhor misericórdia, não tinha verdadeiro conhecimento do vulto da dívida. Não reconheceu seu estado irremediável. Tinha esperança de livrar-se a si mesmo. “Sê generoso para comigo”, disse ele, “e tudo te pagarei.” Assim há muitos que esperam por suas próprias obras merecer a graça de Deus. Não reconhecem a própria incapacidade.
Não aceitam como dádiva liberal a graça de Deus, antes procuram apoiar-se em justiça própria. Seu coração não está quebrantado nem humilhado por causa do pecado, e são severos e irreconciliáveis para com os outros. Seus próprios pecados contra Deus, comparados com os do irmão para com eles, são como dez mil talentos contra cem dinheiros – quase um milhão contra um, e ainda ousam ser irreconciliáveis.
Na parábola, o senhor intimou à sua presença o devedor malvado e disse-lhe: “Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.” Mat. 18:32-34. “Assim”, disse Jesus, “vos fará também Meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.” Mat. 18:35. Aquele que recusa perdoar, rejeita a única esperança de perdão.
Os ensinos dessa parábola não devem ser mal-aplicados, porém. O perdão de Deus não nos diminui de modo algum o nosso dever de obedecer-Lhe. Assim também o espírito de perdão para com nosso próximo não diminui o direito de justa obrigação. Na oração que Cristo ensinou aos discípulos, disse: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.” Mat. 6:12. Com isso não queria Ele dizer que para nos serem perdoados os pecados não devemos requerer de nossos devedores nossos justos direitos. Se não puderem pagar, embora isso seja o resultado de má administração, não devem ser lançados na prisão, oprimidos ou mesmo tratados severamente; todavia a parábola tampouco nos ensina a animar a indolência. A Palavra de Deus declara: “Se alguém não quiser trabalhar, não coma também.” II Tess. 3:10. O Senhor não requer do trabalhador diligente que suporte outros na ociosidade. Para muitos, a causa de sua pobreza e vicissitude é um desperdício de tempo, uma falta de esforço. Se estas faltas não forem corrigidas por aqueles que com elas condescendem, tudo que se fizer em seu auxílio será como pôr riquezas em saco sem fundo. Todavia há uma pobreza inevitável, e devemos manifestar ternura e compaixão para com os desafortunados.
Devemos tratar os outros como quereríamos ser tratados sob circunstâncias idênticas.
Diz-nos o Espírito Santo, pelo apóstolo Paulo: “Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja entre vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.” Filip. 2:1-5.
Mas, não se deve fazer pouco caso do pecado. O Senhor nos ordenou não tolerar injustiça em nosso irmão. Diz: “Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o.” Luc. 17:3. O pecado deve ser chamado pelo verdadeiro nome, e deve ser claramente exposto ao delinqüente.
Na admoestação a Timóteo, Paulo diz, por inspiração do Espírito Santo: “Instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.” II Tim. 4:2. E a Tito escreve: “Há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores. … Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé.” Tito 1:10 e 13. “Se teu irmão pecar contra ti”, disse Cristo “vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão. Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.” Mat. 18:15-17.
Nosso Senhor ensina que dificuldades entre cristãos devem ser resolvidas dentro da igreja. Não devem ser declaradas aos que não temem a Deus. Se um cristão for ofendido por seu irmão, não deve ir a um tribunal apelar a incrédulos. Siga a instrução dada por Cristo. Em vez de procurar vindicar-se, procure salvar o irmão. Deus protegerá os interesses dos que O temem e amam; e podemos entregar com toda a confiança nosso caso Àquele que julga justamente.
Muitíssimas vezes, quando se perpetram injustiças repetidamente, e o delinqüente confessa sua culpa, o ofendido se cansa e pensa que o perdão foi genuíno. Mas o Salvador disse claramente como devemos tratar os relapsos: “Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe.” Luc. 17:3. Não o consideres indigno de confiança. Olha “por ti mesmo, para que não sejas também tentado”. Gál. 6:1.
Se vossos irmãos erram, deveis perdoar-lhes. Quando vos procuram com confissão, não deveis dizer: Não creio que são bastante humildes. Não creio que sintam a confissão. Que direito tendes de julgá-los como se pudésseis ler o coração? A Palavra de Deus diz: “Se ele se arrepender, perdoa-lhe; e, se pecar contra ti sete vezes no dia e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me, perdoa-lhe.” Luc. 17:3 e 4. E não somente sete vezes, porém setenta vezes sete – tantas vezes quantas Deus te perdoa a ti.
Nós mesmos devemos tudo à livre graça de Deus. A graça do concerto é que prescreveu nossa adoção. A graça do Salvador efetua nossa redenção, regeneração e exaltação a co-herdeiros de Cristo. Que esta graça seja revelada a outros.
Não dê ao perdido ocasião para desânimo. Não permita intervir uma severidade farisaica para ferir seu irmão. Não surja amargo escárnio no espírito ou no coração. Não manifeste sinal de desprezo na voz. Se falar uma palavra de você mesmo, se tomar atitude de indiferença, ou denotar suspeita ou desconfiança, poderá causar a ruína de uma vida. Carece ela de um irmão com o coração simpatizante do Irmão mais velho para que lhe toque o coração humano. Sinta ela o aperto de uma mão simpatizante, e ouça o sussurro: Oremos. Deus dará rica experiência a ambos. A oração une-nos um ao outro e a Deus. A oração traz Jesus ao nosso lado, e dá à alma fatigada e perplexa novas forças para vencer o mundo, a carne e o diabo. A oração desvia os ataques de Satanás.
Quando alguém se volta da imperfeição humana para contemplar a Jesus, dá-se uma divina transformação no caráter. O Espírito de Cristo que opera no coração conforma-o a Sua imagem. Seja pois vosso esforço exaltar a Jesus. Que os olhos do espírito se dirijam ao “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João 1:29. Empenhando-vos nesta obra, lembrai-vos de que “aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados”. Tia. 5:20.
“Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” Mat. 6:15. Nada pode justificar o espírito irreconciliável. Aquele que não é misericordioso para com os outros, mostra não ser participante da graça perdoadora de Deus. No perdão de Deus, o coração do perdido é atraído ao grande coração do Infinito Amor. A torrente da compaixão divina derrama-se no espírito do pecador e, dele, na de outros. A benignidade e misericórdia que em Sua própria vida preciosa Cristo revelou, serão vistas também naqueles que se tornam participantes de Sua graça. “Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle.” Rom. 8:9. Está alienado de Deus e apto unicamente para a eterna separação dEle.
É verdade que pode uma vez haver sido perdoado; porém, seu espírito impiedoso mostra que agora rejeita o amor perdoador de Deus. Está separado de Deus e na mesma condição em que estava antes de ser perdoado. Desmentiu seu arrependimento, e os pecados sobre ele estão como se não se tivesse arrependido.
Mas a grande lição da parábola está no contraste entre a compaixão de Deus e a dureza de coração do homem – no fato de que a misericórdia perdoadora de Deus deve ser a medida da nossa própria. “Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?” Mat. 18:33.
Não nos é perdoado porque perdoamos, porém, como o fazemos. O motivo de todo perdão acha-se no imerecido amor de Deus; mas, por nossa atitude para com os outros denotamos se estamos possuídos desse amor. Por isto Cristo diz: “Com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” Mat. 7:2.
Posted on September 1, 2010 - by admin
Parábolas de Jesus – A Pérola de Grande Preço
As bênçãos da graça remidora, nosso Salvador compara a uma preciosa pérola. Ilustrou Sua lição pela parábola do negociante que buscava boas pérolas e que, “encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a”. Mat. 13:46. Cristo mesmo é a pérola de grande preço. NEle está comprovada a glória do Pai, a plenitude da Divindade. É o resplendor da magnificência do Pai e a expressa imagem de Sua Pessoa. A glória dos atributos de Deus é expressa em Seu caráter. Cada página das Sagradas Escrituras irradia Sua luz. A justiça de Cristo, como uma pérola branca e pura, não tem defeito nem mácula alguma. Nenhuma obra humana pode aperfeiçoar a grande e preciosa dádiva de Deus. É irrepreensível. Em Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da Ciência”. Col. 2:3. “Para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.” I Cor. 1:30. Tudo que pode satisfazer às necessidades e anelos da vida humana, para este e para o mundo vindouro, é encontrado em Cristo. Nosso Redentor é a pérola tão preciosa, em comparação com a qual tudo pode ser estimado por perda.
Cristo “veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam”. João 1:11. A luz de Deus raiou nas trevas do mundo, “e as trevas não a compreenderam”. João 1:5. Mas nem todos se acharam indiferentes à dádiva do Céu. O negociante da parábola representa uma classe que anelava sinceramente a verdade. Em diferentes nações havia pensadores sinceros que tinham procurado na literatura, ciência e religião do mundo gentílico, aquilo que poderiam receber como o tesouro do espírito. Entre os judeus havia os que procuravam alguma coisa que não possuíam. Não satisfeitos com uma religião formal, ansiavam alguma coisa espiritual e enobrecedora. Os discípulos escolhidos de Cristo pertenciam a esta última classe. Cornélio e o eunuco da Etiópia, à primeira. Tinham estado anelando a luz do Céu e orando por seu recebimento; e quando Cristo lhes foi revelado, receberam-nO com alegria.
A pérola não nos é apresenta na parábola como uma dádiva. O negociante adquiriu-a pelo preço de tudo que possuía. Muitos indagam a significação disto, pois Cristo é apresentado nas Escrituras como uma dádiva. É uma dádiva, mas somente para aqueles que se Lhe entregam alma, corpo e espírito sem reservas. Devemos entregar-nos a Cristo, para viver uma vida de obediência voluntária a todos os Seus reclamos. Tudo que somos, todos os talentos e habilidades que possuímos, são do Senhor para serem consagrados a Seu serviço. Quando assim nos rendemos inteiramente a Ele, Cristo Se entrega a nós com todos os tesouros do Céu e adquirimos a pérola de grande preço.
A salvação é um dom gratuito e contudo deve ser comprado e vendido. No mercado que está sob a administração do favor divino, a preciosa pérola é representada como sendo comprada sem dinheiro e sem preço. Neste mercado todos podem obter as mercadorias celestiais. A tesouraria das jóias da verdade está aberta a todos. “Eis que diante de ti pus uma porta aberta”, declara o Senhor, “e ninguém a pode fechar.” Apoc. 3:8. Espada alguma guarda a entrada desta porta. Vozes do interior e de junto à porta dizem: Vem. A voz do Salvador nos convida ansiosa e amavelmente: “Aconselho-te que de Mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças.” Apoc. 3:18.
O evangelho de Cristo é uma bênção que todos podem possuir. Os mais pobres tanto como os mais ricos estão em condições de adquirir a salvação; pois soma alguma de riquezas terrenas pode assegurá-la. É obtida pela obediência voluntária, entregando-nos a Cristo como Sua propriedade adquirida. A educação, mesmo da mais elevada espécie, não pode em si levar o homem para mais perto de Deus. Os fariseus eram favorecidos com todos os privilégios temporais e espirituais, e diziam com arrogância e orgulho: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”; contudo eram desgraçados, e miseráveis, e pobres, e cegos, e nus.” Apoc. 3:17. Cristo lhes ofereceu a pérola de grande preço; mas desdenharam aceitá-la, e Ele lhes disse: “Os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.” Mat. 21:31.
Não podemos ganhar a salvação; devemos, porém, procurá-la com tanto interesse e perseverança, como se por ela quiséssemos abandonar tudo no mundo.
Devemos buscar a pérola de grande preço, mas não nos mercados mundanos, ou por meios mundanos. O preço de nós exigido não é ouro nem prata, pois isto pertence a Deus. Abandonai a idéia de que privilégios temporais ou espirituais adquirir-vos-ão a salvação. Deus requer vossa obediência voluntária. Pede-vos renunciar a vossos pecados. “Ao que vencer”, diz Cristo, “lhe concederei que se assente comigo no Meu trono, assim como Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.” Apoc. 3:21. Alguns há, que parece sempre buscarem a pérola celestial. Não renunciam, porém, completamente a seus maus hábitos. Não morrem para o próprio eu, para que Cristo viva neles. Por este motivo, não acham a pérola valiosa. Não venceram sua ambição profana e seu amor às atrações do mundo. Não tomam a cruz e não seguem a Cristo no caminho da abnegação e sacrifício. Quase cristãos mas não plenamente, parecem estar perto do reino do Céu, mas não podem ali entrar. Quase, mas não completamente salvos, significa estar não quase, porém completamente perdidos.
A parábola do negociante que buscava boas pérolas, tem significação dupla: aplica-se não somente aos homens que procuram o reino dos Céus, como também a Cristo, que procura Sua herança perdida. Cristo, o Negociante celestial que busca boas pérolas, viu na humanidade perdida a pérola de preço. Viu as possibilidades de redenção no homem pervertido e arruinado pelo pecado. Corações que têm sido o campo de combate com Satanás, e foram salvos pelo poder do amor, são mais preciosos ao Salvador do que aqueles que jamais caíram. Deus contemplou a humanidade não como desprezível e indigna; contemplou-a em Cristo, viu-a como se podia tornar pelo amor redentor.
Reuniu todas as riquezas do Universo e as ofereceu para adquirir a pérola. E Jesus, encontrando-a, insere-a novamente em Seu diadema. “Porque, como as pedras de uma coroa, eles serão exaltados na sua terra.” Zac. 9:16. “Eles serão Meus, diz o Senhor dos Exércitos, naquele dia que farei, serão para Mim particular tesouro.” Mal. 3:17.
Mas Cristo como a pérola preciosa, e nosso privilégio de possuir este tesouro celeste, é o tema com o qual mais nos deveríamos preocupar. O Espírito Santo é que revela aos homens a preciosidade da boa pérola. O tempo do poder do Espírito Santo é o tempo em que, num sentido especial, a dádiva celeste será procurada e achada. Nos dias de Cristo muitos ouviam o evangelho, mas tinham o espírito entenebrecido por falsos ensinos; e não reconheciam no humilde Mestre da Galiléia o Enviado de Deus. Mas depois da ascensão de Cristo, Sua entronização em Seu reino intercessório foi assinalada pelo derramamento do Espírito Santo. No dia de Pentecoste foi dado o Espírito. As testemunhas de Cristo anunciavam o poder do Salvador ressurreto. A luz do Céu penetrou na mente obscurecida dos que tinham sido enganados pelos inimigos de Cristo. Agora O contemplavam elevado “a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados”. Atos 5:31. Viram-nO envolto na glória do Céu, com tesouros infinitos nas mãos para outorgar a todos os que se voltassem de sua rebelião. Proclamando os apóstolos a glória do Unigênito do Pai, foram convertidas três mil pessoas. Viam-se como realmente eram – pecadores e poluídos, e a Cristo como seu Amigo e Redentor. Cristo foi exaltado, Cristo foi glorificado pelo poder do Espírito Santo, que repousava sobre os homens. Pela fé esses crentes contemplavam-nO como Aquele que suportara humilhação, sofrimento e morte, para que não perecessem mas tivessem a vida eterna. A revelação de Cristo pelo Espírito lhes trouxe um senso reconhecedor de Seu poder e majestade; e pela fé estendiam as mãos a Ele, dizendo: “Creio!”
Então as boas-novas de um Salvador ressurgido foram levadas às mais longínquas extremidades do mundo habitado. A igreja viu como de todos os lugares lhe afluíam conversos. Crentes foram convertidos de novo. Pecadores aliavam-se aos cristãos, para buscar a pérola de grande preço. Cumpriu-se a profecia: “E o que dentre eles tropeçar, naquele dia, será como Davi, e a casa de Davi será… como o anjo do Senhor diante deles.” Zac. 12:8. Cada cristão via em seu irmão a semelhança divina de benevolência e amor. Um único interesse prevalecia. Um objetivo absorvia todos os outros. Todos os corações palpitavam em harmonia. O único empenho dos crentes era revelar a semelhança do caráter de Cristo e trabalhar pelo engrandecimento de Seu reino. “Era um o coração e a alma da multidão dos que criam. … E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.” Atos 4:32 e 33. “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” Atos 2:47. O Espírito de Cristo animava toda a congregação; porque tinham achado a pérola de grande preço.
Estas cenas devem repetir-se, e com maior poder. O derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecoste foi a chuva temporã; porém a chuva serôdia será mais copiosa. O Espírito aguarda nosso pedido e recepção. Cristo deve ser revelado novamente em Sua plenitude pelo poder do Espírito Santo. Homens reconhecerão o valor da pérola preciosa e dirão com o apóstolo Paulo: “O que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.” Filip. 3:7 e 8.
Posted on September 1, 2010 - by admin
Parábolas de Jesus – Como é Decidido Nosso Destino
Na parábola do rico e Lázaro, Cristo mostra que nesta vida os homens decidem seu destino eterno. Durante o tempo da graça de Deus, esta é oferecida a toda a humanidade. Mas, se os homens desperdiçam as oportunidades na satisfação própria, afastam-se da vida eterna. Não lhes será concedida nova oportunidade. Por sua própria escolha cavaram entre eles e Deus um abismo intransponível.
Essa parábola traça um contraste entre o rico que não confiara em Deus e o pobre que nEle depositara confiança. Cristo mostra que se está aproximando o tempo em que a posição das duas classes será invertida. Os que, embora pobres nos bens deste mundo confiam em Deus e são pacientes no sofrimento, um dia serão exaltados sobre os que agora ocupam as mais elevadas posições que o mundo pode dar, mas não submeteram sua vida a Deus.
“Ora, havia um homem rico”, disse Cristo, “e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele. E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico.” Luc. 16:19-21.
O rico não pertencia à classe representada pelo juiz injusto, que declarava abertamente seu desrespeito a Deus e ao homem. Professava ser filho de Abraão. Não maltratava o mendigo nem exigia que se retirasse porque sua aparência lhe era repugnante. Se este pobre e asqueroso espécime da humanidade era confortado por contemplá-lo ao passar os portais, o rico consentia que lá permanecesse. Mas era de forma egoísta indiferente às necessidades de seu irmão sofredor.
Não havia então hospitais onde os enfermos pudessem ser cuidados. Os sofredores e necessitados eram trazidos ao conhecimento daqueles a quem Deus confiara riquezas, para que deles recebessem auxílio e simpatia. Assim se dava com o mendigo e o rico. Lázaro estava em grande necessidade, pois não tinha amigos, casa, dinheiro, nem alimento. Contudo era deixado ficar nesse estado dia após dia, enquanto toda necessidade do nobre rico era suprida. Ele, a quem seria tão fácil aliviar os sofrimentos de seu próximo, vivia para si mesmo, como o fazem muitos hoje em dia.
Hoje, em nossa vizinhança, muitos há famintos, nus e sem teto. Se negligenciarmos repartir nossos meios com esses necessitados e sofredores, pomos sobre nós um fardo de culpa, que um dia temeremos enfrentar. Toda avareza é condenada como idolatria. Toda condescendência egoísta é aos olhos de Deus uma ofensa.
Deus fizera do rico um mordomo de Seus meios, com a obrigação de atender justamente a casos tais como o do mendigo. Fora dada a ordem: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Deut. 6:5); e “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Lev. 19:18.
O rico era judeu, e como tal conhecia os mandamentos de Deus. Esqueceu, porém, que teria que prestar contas pelo uso dos meios e capacidades a ele concedidos. As bênçãos do Senhor sobre ele repousavam abundantemente, mas as empregou de forma egoísta para a própria honra e não de seu Criador. Proporcional à abundância era a sua obrigação de usar as dádivas para erguer a humanidade. Este era o mandamento do Senhor. Mas o rico não pensara na obrigação para com Deus. Emprestava dinheiro e recebia juros do mesmo, mas não devolvia juros do que Deus lhe emprestara. Possuía conhecimento e talentos, mas não os aperfeiçoava. Esquecendo sua responsabilidade para com Deus, devotara todas as energias ao prazer. Tudo de que era rodeado, o círculo de divertimentos, os louvores e lisonjas de seus amigos, lhe satisfazia o prazer egoísta. Tão enlevado estava na companhia dos amigos, que perdeu todo o senso da responsabilidade de cooperar com Deus em Seu ministério de misericórdia. Tinha oportunidade de compreender a Palavra de Deus e praticar seus ensinos, mas a sociedade amante de prazeres que escolhera lhe ocupava tanto o tempo, que esqueceu o Deus da eternidade.
Veio o tempo em que se deu uma mudança na condição dos dois homens. O pobre sofrera dia após dia, porém suportara com paciência e tranqüilidade. Afinal morreu e foi sepultado. Ninguém por ele chorou, porém testemunhara de Cristo pela paciência no sofrimento, suportara a prova de sua fé, e na morte nos é representado como havendo sido levado pelos anjos ao seio de Abraão.
Lázaro representa o pobre sofredor que crê em Cristo. Quando a trombeta soar e todos os que estão nas sepulturas ouvirem a voz de Cristo e ressurgirem, receberão a recompensa; pois sua fé em Deus não era mera teoria, mas realidade. “E morreu também o rico e foi sepultado. E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio. E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.” Luc. 16:22-24.
Nesta parábola Cristo Se acercava do povo no próprio terreno deles. A doutrina de um estado consciente de existência entre a morte e a ressurreição era mantida por muitos dos que ouviam as palavras de Cristo. O Salvador lhes conhecia as idéias e compôs Sua parábola de modo a inculcar verdades importantes em lugar dessas opiniões preconcebidas. Apresentou aos ouvintes um espelho em que se pudessem ver em sua verdadeira relação para com Deus. Usou a opinião predominante para exprimir a idéia de que desejava todos ficassem imbuídos, isto é, que nenhum homem é apreciado por suas posses; porque tudo que lhe pertence é unicamente emprestado por Deus. O mau emprego destas dádivas colocá-lo-á abaixo dos mais pobres e afligidos que amam a Deus, e nEle confiam.
Cristo desejava que Seus ouvintes compreendessem a impossibilidade do homem assegurar-se a salvação da alma depois da morte. Abraão é apresentado como a responder: “Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá.” Luc. 16:25 e 26. Deste modo Cristo mostra a completa falta de esperança em aguardar uma segunda oportunidade. Esta vida é o único tempo dado ao homem para preparar-se para a eternidade.
O rico não abandonara a crença de ser filho de Abraão, e em sua aflição é apresentado como a pedir-lhe socorro.
“Abraão, meu pai”, orou ele, “tem misericórdia de mim.” Luc. 16:24. Não orou a Deus, mas a Abraão. Assim mostrava que colocava Abraão acima de Deus, e confiava na salvação pelo parentesco com ele. O ladrão na cruz endereçou sua oração a Cristo. “Senhor, lembra-Te de mim, quando entrares no Teu reino” (Luc. 23:42), disse ele, e imediatamente veio a resposta: Na verdade, na verdade te digo hoje (quando estou suspenso na cruz, em humilhação e sofrimento), estarás comigo no Paraíso. O rico, porém, orou a Abraão, e sua petição não foi atendida. Cristo somente está exaltado a “Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados”. Atos 5:31. “E em nenhum outro há salvação.” Atos 4:12.
O rico passara a vida em complacência própria, e demasiado tarde viu que não fizera provisão para a eternidade. Reconheceu sua loucura, e pensou nos irmãos que como ele procederiam, vivendo para se comprazerem. Suplicou, então: “Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes [Lázaro] à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham para este lugar de tormento.” Mas “disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não, Abraão, meu pai; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.” Luc. 16:27-31.
Quando o rico solicitava evidência adicional para seus irmãos foi-lhe dito claramente que mesmo que esta evidência fosse dada, não seriam persuadidos. Seu pedido lançava uma injúria a Deus. Era como se o rico dissesse: Se me tivesses advertido mais cabalmente, eu não estaria aqui agora. Por sua resposta, Abraão é apresentado como a dizer: Teus irmãos têm sido suficientemente advertidos. Foi-lhes dada luz, porém não quiseram ver; foi-lhes apresentada a verdade, porém não quiseram ouvir. “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.” Luc. 16:31. Essas palavras demonstraram-se verdadeiras na história da nação judaica. O último e mais importante milagre de Cristo foi a ressurreição de Lázaro de Betânia, após estar morto quatro dias. Aos judeus foi concedida esta maravilhosa demonstração da divindade do Salvador, mas rejeitaram-na. Lázaro ressurgiu dentre os mortos e apresentou-lhes seu testemunho, porém eles empederniram o coração contra toda evidência, e até tentavam tirar-lhe a vida. João 12:9-11.
A lei e os profetas são os meios designados por Deus para a salvação dos homens. Cristo disse: Atentem para estas evidências. Se não ouvem a voz de Deus em Sua Palavra, o testemunho de alguém que se levantasse dentre os mortos não seria atendido.
Aqueles que ouvem a Moisés e aos profetas não requererão maior luz que a que Deus deu; mas se os homens rejeitam a luz e deixam de apreciar as oportunidades a eles proporcionadas, não escutariam alguém que, dentre os mortos, se lhes acercasse com uma mensagem. Não seriam convencidos nem por esta evidência; porque os que rejeitam a lei e os profetas, endurecem o coração, ao ponto de repelir toda a luz.
A conversação entre Abraão e o homem outrora rico é figurativa. A lição a ser tirada dela é que a todo homem é dada suficiente luz para o desempenho dos deveres dele exigidos. As responsabilidades do homem são proporcionais às suas oportunidades e privilégios. Deus outorga a todos luz e graça suficientes para executar a obra que lhes deu para fazer. Se o homem deixar de fazer o que uma pequena luz mostra ser seu dever, maior luz somente revelaria infidelidade e negligência no aperfeiçoamento das bênçãos concedidas. “Quem é fiel no mínimo também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo também é injusto no muito.” Luc. 16:10. Quem recusa ser iluminado por Moisés e pelos profetas, e pede a execução de algum milagre maravilhoso, não seria persuadido se seu desejo se cumprisse.
A parábola do rico e Lázaro mostra como são avaliadas as duas classes representadas por estes homens no mundo invisível. Não é pecado ser rico, se a riqueza não for alcançada por injustiça. Um rico não é condenado por possuir riquezas; mas a condenação sobre ele paira se os meios a ele confiados forem despendidos de forma egoísta. Muito melhor faria, se depositasse seu dinheiro ao lado do trono de Deus, usando-o para fazer o bem. A morte não empobrecerá ninguém que assim se devote a procurar riquezas eternas. Mas, o homem que acumula dinheiro para si, nada poderá levar aos Céus; demonstrou-se um mordomo infiel. Durante a vida teve boas coisas; mas esqueceu-se do dever para com Deus; deixou de assegurar-se o tesouro celeste.
O rico que teve tantos privilégios nos é apresentado como alguém que deveria haver cultivado seus dons de modo que suas obras atingissem o grande além, levando consigo as aperfeiçoadas vantagens espirituais. É propósito da redenção não somente extirpar o pecado, mas restituir ao homem os dons espirituais perdidos pelo poder atrofiante do pecado. Dinheiro não pode ser introduzido na vida futura; ele não é necessário lá; mas as boas obras feitas para conquistar almas para Cristo, são levadas às mansões celestes. Mas os que desperdiçam de forma egoísta as dádivas do Senhor, que deixam seus semelhantes sem auxílio, e nada fazem para a promoção da obra de Deus neste mundo, desonram seu Criador. Roubo a Deus está escrito junto a seus nomes nos livros do Céu.
O rico tinha tudo quanto podia ser adquirido por dinheiro; mas não as riquezas que teriam conservado sua conta justa com Deus. Vivera como se tudo quanto possuía lhe pertencesse. Desdenhou o apelo de Deus e o clamor do pobre sofredor. Mas finalmente lhe chega um convite a que não pode deixar de atender. Por um poder que não pode questionar nem resistir, lhe é ordenado que entregue os bens de que não será mais mordomo. O homem que fora rico está reduzido a uma pobreza desesperadora. As vestes da justiça de Cristo, tecidas no tear do Céu, jamais podem cobri-lo. Ele, que uma vez usara a mais rica púrpura, o mais fino linho, está reduzido à nudez. Sua oportunidade findou. Nada trouxe ao mundo, e nada pode levar dele.
Cristo levantou a cortina e apresentou este quadro aos sacerdotes e maiorais, escribas e fariseus. Olhai-o vós que sois ricos nos bens deste mundo, e não sois ricos para com Deus. Não quereis contemplar esta cena? O que é mais estimável entre os homens é abominável à vista de Deus. Cristo diz: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou que daria o homem pelo resgate da sua alma?” Mar. 8:36 e 37.
Aplicação à Nação Judaica
Quando Cristo deu a parábola do rico e Lázaro, havia muitos na nação judaica na condição lastimosa do rico, usando os bens do Senhor para a própria satisfação egoísta, preparando-se para ouvir a sentença: “Pesado foste na balança e foste achado em falta.” Dan. 5:27. O rico foi favorecido com todas as bênçãos temporais e espirituais, mas recusou cooperar com Deus no uso destas bênçãos. Isto se dava com a nação judaica. O Senhor fizera dos judeus depositários da verdade sagrada. Nomeou-os mordomos de Sua graça. Deu-lhes todas as vantagens temporais e espirituais, encarregou-os de partilhar estas bênçãos. Uma instrução especial fora-lhes dada a respeito do tratamento de irmãos empobrecidos, dos estrangeiros dentro de suas portas e dos pobres entre estes. Não deveriam procurar ganhar tudo para o proveito próprio, antes deveriam lembrar-se dos necessitados e repartir com eles. E Deus prometeu abençoá-los de acordo com as suas obras de amor e misericórdia. Como o rico, porém, não estendiam a mão auxiliadora para aliviar as necessidades temporais e espirituais da humanidade sofredora. Cheios de orgulho, consideravam-se o povo escolhido e favorecido de Deus; contudo não serviam nem adoravam a Deus. Depositavam confiança na circunstância de serem filhos de Abraão. “Somos descendência de Abraão”, diziam, com altivez. João 8:33. Ao chegar a crise foi revelado que se tinham divorciado de Deus, e confiado em Abraão como se fosse Deus.
Cristo ansiava iluminar os espíritos entenebrecidos do povo judeu. Dizia-lhes: “Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. Mas, agora, procurais matar-Me a Mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isso.” João 8:39 e 40.
Cristo não reconhecia virtude na estirpe. Ensinava que a ligação espiritual supera a natural. Os judeus diziam ser descendentes de Abraão; porém, deixando de fazer as obras de Abraão, provavam não ser seus verdadeiros filhos. Somente os que provam estar em harmonia espiritual com Abraão, obedecendo à voz de Deus, são tidos como da legítima descendência. Embora o mendigo pertencesse à classe pelos homens considerada inferior, Cristo o reconhecia como alguém a quem Abraão tomaria na mais íntima amizade.
Embora o rico estivesse rodeado de todos os luxos da vida, era tão ignorante que colocava a Abraão onde devia estar Deus. Se tivesse apreciado seus elevados privilégios e permitisse que o Espírito de Deus lhe moldasse o espírito e coração, teria procedido de maneira muito diferente. O mesmo se dava com a nação que representava. Se tivessem atendido ao convite divino, seu futuro seria totalmente diverso. Teriam mostrado verdadeiro discernimento espiritual. Possuíam meios que Deus poderia multiplicar, tornando-os suficientes para abençoar e iluminar todo o mundo. Tinham-se, porém, afastado tanto das prescrições do Senhor, que toda a sua vida estava pervertida. Deixaram de usar as dádivas como mordomos de Deus de acordo com a verdade e justiça. A eternidade não era tomada em consideração, e o resultado de sua infidelidade foi ruína para toda a nação.
Cristo sabia que na destruição de Jerusalém os judeus se lembrariam de Sua advertência. E assim foi. Ao vir a calamidade sobre Jerusalém, quando miséria e sofrimento de toda espécie sobrevieram ao povo, lembraram-se dessas palavras de Cristo e entenderam a parábola. Acarretaram sobre si mesmos sofrimento pelo menosprezo de fazer brilhar a luz dada por Deus ao mundo.
Nos Últimos Dias
As cenas finais da história deste mundo são-nos retratadas no final da história do rico. O rico professava ser filho de Abraão, porém foi alienado de Abraão por um abismo intransponível – o caráter incorretamente formado. Abraão servia a Deus, seguindo Sua Palavra com fé e obediência. Mas o rico não pensava em Deus, nem nas carências da humanidade sofredora. O grande abismo posto entre ele e Abraão era o abismo da desobediência. Muitos há hoje em dia que estão seguindo a mesma trilha. Embora membros da igreja, não são conversos. Podem tomar parte no culto religioso e cantar o salmo: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por Ti, ó Deus!” (Sal. 42:1) porém, dão testemunho de falsidade. Aos olhos de Deus, não são mais justos que o maior pecador. O que se alegra com prazeres mundanos, que ama a ostentação, não pode servir a Deus. Como o rico da parábola, essa pessoa não tem pendor para combater os prazeres da carne. Anseia satisfazer o apetite. Escolhe a atmosfera do pecado. Repentinamente é arrastado pela morte e baixa ao túmulo com o caráter formado durante a vida em parceria com os agentes satânicos. Na cova não tem a possibilidade de escolher nada, seja bom ou mau; porque quando o homem morre, sua memória perece. (Sal. 146:4; Ecl. 9:5 e 6.)
Quando a voz de Deus despertar os mortos, virão eles da sepultura com os mesmos apetites e paixões, com os mesmos gostos e caprichos que nutriam quando vivos. Deus não faz milagres para regenerar um homem que não quis ser regenerado quando lhe era proporcionada toda oportunidade e favorecidos todos os meios. Durante a vida não se deleitava em Deus nem tinha prazer em Sua obra. Seu caráter não está em harmonia com Deus, e não poderia ser feliz na família celestial.
Há em nosso mundo, hoje, uma classe cheia de justiça própria. Não são glutões, nem beberrões, não são incrédulos; porém, desejam viver para si mesmos e não para Deus. Ele não está em seus pensamentos; por isso são classificados com os descrentes. Caso lhes fosse possível entrar na cidade de Deus, não poderiam ter direito à árvore da vida; pois quando os mandamentos de Deus lhes foram apresentados com todas as reivindicações em vigor, disseram: Não. Não serviram a Deus aqui, por isso não haveriam de servi-Lo futuramente. Não poderiam viver em Sua presença, e sentiriam que qualquer lugar seria preferível ao Céu.
Aprender de Cristo significa receber Sua graça, que é Seu caráter. Mas os que não apreciam nem aproveitam as preciosas oportunidades e sagradas influências a eles concedidas na Terra, não estão qualificados para tomar parte na pura devoção do Céu. Seu caráter não está moldado segundo a semelhança divina. Por sua própria negligência abriram uma voragem que nada pode transpor. Entre eles e o justo está posto um grande abismo.
Posted on August 31, 2010 - by admin
Parábolas de Jesus – Um Convite Generoso
O Salvador era convidado no banquete de um fariseu. Aceitava convites tanto de ricos como de pobres, e consoante Seu costume, vinculava com Suas lições da verdade a cena que tinha diante de Si. Entre os judeus o banquete sagrado era associado com todas as suas épocas de júbilo nacional e religioso. Era-lhes um tipo das bênçãos da vida eterna. O grande banquete em que se assentariam à mesa com Abraão, Isaque e Jacó, enquanto os gentios estariam de fora, olhando cobiçosamente, era tema sobre que se deleitavam em falar. A lição de advertência e instrução que Cristo desejava dar, ilustrou agora pela parábola da grande ceia. Os judeus pretendiam circunscrever a si as bênçãos divinas para esta vida e a futura. Negavam a misericórdia de Deus para com os gentios. Pela parábola Cristo mostrou que nesse mesmo momento eles rejeitavam o convite de misericórdia, a chamada para o reino de Deus.
Demonstrou que o convite que desdenhavam estava para ser dirigido àqueles a quem desprezavam, e de quem se retraíam como de leprosos.
Na escolha dos convidados para o banquete, consultara o fariseu o próprio interesse egoísta. Cristo lhe disse: “Quando deres um jantar ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado. Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos e serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado serás na ressurreição dos justos.” Luc. 14:12-14.
Cristo repetia aqui as instruções que dera a Israel por Moisés. Em seus banquetes sagrados ordenara o Senhor que “o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas”, viessem, comessem e se saciassem. Deut. 14:29. Essas reuniões deveriam ser para Israel lições objetivas. Sendo ensinada deste modo a alegria da verdadeira hospitalidade, o povo deveria cuidar durante todo o ano dos pobres e indigentes. E essas ceias encerravam uma lição mais ampla. As bênçãos espirituais,
“Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura.” Isa. 55:1 e 2. prodigalizadas a Israel, não eram para eles somente. Deus lhes dera o pão da vida, para que o repartissem com o mundo.
Essa tarefa não executaram. As palavras de Cristo eram-lhes uma censura ao egoísmo. Desagradavam aos fariseus. Desejando desviar o rumo da conversa, um deles exclamou com ares de beato: “Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus!” Luc. 14:15. Esse homem falou com grande confiança, como se estivesse certo de um lugar no reino. Sua atitude era semelhante à dos que se alegram com ser salvos por Cristo, conquanto não preencham as condições sob que a salvação é prometida. Seu espírito era idêntico ao de Balaão, quando orava: “A minha alma morra da morte dos justos, e seja o meu fim como o seu.” Núm. 23:10. O fariseu não pensava em sua aptidão para o Céu, mas naquilo em que esperava deleitar-se lá. Sua observação destinava-se a desviar do tema de seus deveres práticos, a atenção dos convidados à ceia. Desejava dirigi-los da vida presente ao remoto tempo da ressurreição dos justos.
Cristo leu o coração do dissimulador e, dirigindo-lhe o olhar, expôs aos convidados o caráter e o valor de seus privilégios presentes. Indicou-lhes que, a fim de partilharem das bem-aventuranças futuras, tinham uma obra para fazer neste tempo.
“Um certo homem”, disse, “fez uma grande ceia e convidou a muitos.” Luc. 14:16. Chegado o tempo da celebração, o que convidava enviou seus servos com uma segunda mensagem aos hóspedes esperados: “Vinde, que já tudo está preparado.” Luc. 14:17. Estranha indiferença manifestou-se, porém. “Todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado. E outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado. E outro disse: Casei e, portanto, não posso ir.” Luc. 14:18-20.
Nenhuma das escusas tinha base em necessidade real. O homem que precisava sair a ver seu campo, já o comprara. Sua pressa de ir vê-lo era devida a que seu interesse estava absorvido pela aquisição. Os bois, também, tinham sido comprados. O exame dos mesmos só devia satisfazer à curiosidade do comprador. Também a terceira desculpa não tinha melhor motivo. A circunstância de o convidado haver contraído núpcias, não precisava impedir sua presença à festa. Sua esposa também seria bem-vinda. Fizera, porém, seus próprios planos de prazer, e estes lhe pareciam mais desejáveis do que comparecer à festa, como prometera. Aprendera a achar prazer noutra companhia que não a do anfitrião. Não pediu desculpas, nem mesmo usou de cortesia em escusar-se. O “não posso ir” era unicamente um véu para a verdade – “não faço questão de ir”.
Todas as escusas denunciavam espírito preocupado. Estes convidados ficaram absortos pelo interesse em outras coisas. O convite que se comprometeram a aceitar, foi rejeitado, e o generoso amigo, ofendido por sua indiferença.
Pela grande ceia, Cristo representa as bênçãos oferecidas pelo evangelho. A provisão é nada menos que o próprio Cristo. Ele é o pão que desceu do Céu; e dEle procedem as torrentes da salvação. Os mensageiros do Senhor anunciaram aos judeus a vinda do Salvador, apontaram a Cristo como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João 1:29. No banquete que preparou, Deus lhes ofereceu a maior dádiva que o Céu podia conceder – uma dádiva que excede todo o entendimento. O amor de Deus supriu o custoso banquete, e proveu inesgotáveis recursos. “Se alguém comer desse pão”, disse Cristo, “viverá para sempre.” João 6:51.
Todavia, para aceitar o convite ao banquete do evangelho, precisariam subordinar seus interesses materiais ao propósito de receber a Cristo e Sua justiça. Deus prodigalizou tudo ao homem, e lhe pede colocar Seu serviço acima de todas as considerações terrenas e egoístas. Não pode aceitar um coração indiferente. O coração absorto em afeições terrenas não pode ser entregue a Deus. A lição é para todo o tempo. Devemos seguir o Cordeiro de Deus, aonde quer que vá. Deve ser escolhida Sua direção, e Sua companhia apreciada mais que a de amigos terrenos. Cristo diz: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim não é digno de Mim.” Mat. 10:37.
Ao redor da mesa, quando partiam o pão cotidiano, muitos repetiam, nos dias de Cristo, as palavras: “Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus!” Luc. 14:15. Mas Cristo mostra como é difícil encontrar hóspedes à mesa provida por preço infinito. Aqueles que Lhe escutavam as palavras sabiam que tinham desprezado o misericordioso convite. Posses terrenas, riquezas e prazeres eram-lhes
“Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do Céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu.” João 6:48-51. todo-absorventes. De consenso unânime escusaram-se.
O mesmo se dá hoje. As desculpas apresentadas ao recusar o convite para o banquete encerram todos os motivos apresentados para recusar o convite do evangelho. Declaram que não podem prejudicar suas perspectivas materiais dando ouvidos às reivindicações do evangelho. Consideram seus propósitos temporais de maior valor que as coisas da eternidade. Justamente as bênçãos que receberam de Deus se tornam um empecilho que lhes separa a alma do Criador e Redentor. Não querem ser interrompidas em suas empresas mundanas, e dizem ao mensageiro da graça: “Por agora, vai-te, e, em tendo oportunidade, te chamarei.” Atos 24:25. Outros insistem nas dificuldades que surgiriam nas relações sociais se obedecessem ao convite de Deus. Dizem que não podem estar em desarmonia com seus parentes e conhecidos. Deste modo denunciam fazer o mesmo que os descritos na parábola. O anfitrião considera-lhes as desculpas fúteis, e demonstrativas de desprezo ao convite.
O homem que disse: “Casei e, portanto, não posso ir” (Luc. 14:20), representa uma grande classe. Muitos há que permitem que a esposa ou o marido os impeçam de atender ao convite de Deus. Diz o esposo: “Não posso seguir minha convicção do dever enquanto minha senhora é a isso contrária. Sua influência me tornaria excessivamente difícil fazê-lo.” A esposa ouve o misericordioso convite: “Vinde, que tudo já está preparado”, e diz: “Rogo-Te que me hajas por escusada. Meu marido recusa o convite de misericórdia. Diz que seu negócio é um embaraço. Preciso acompanhar meu marido, e por isso não posso ir.” O coração dos filhos é impressionado. Desejam ir. Mas, amam o pai e a mãe, e como estes não atendem ao convite do evangelho, pensam que sua presença não é esperada. Também dizem: “Gostaria de ser dispensado.”
Todos esses não atendem ao convite do Salvador, porque temem causar divisão no círculo da família. Pensam que negando obediência a Deus, asseguram a paz e a prosperidade do lar; porém, isto é uma ilusão. Quem semeia egoísmo, colherá egoísmo. Rejeitando o amor de Cristo rejeitam aquilo que, somente, pode emprestar ao amor humano pureza e estabilidade. Não só perderão o Céu como também a verdadeira felicidade pela qual o Céu foi sacrificado.
Na parábola, o doador da ceia ouviu como seu convite fora recebido, e, “indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade e traze aqui os pobres, e os aleijados, e os mancos, e os cegos”. Luc. 14:21.
O hospedeiro voltou-se daqueles que menosprezaram sua bondade e convidou uma classe não abastada, que não possuía casas nem terras. Convidou os pobres e “Disseram-Lhe, pois: … Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do Céu. Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do Céu, mas Meu Pai vos dá o verdadeiro pão do Céu. Porque o pão de Deus é Aquele que desce do Céu e dá vida ao mundo. … Eu sou o pão da vida; aquele que vem a Mim não terá fome; e quem crê em Mim nunca terá sede.” João 6:30-33 e 35. famintos, que apreciariam a generosidade. “Os publicanos e as meretrizes”, disse Cristo, “entram adiante de vós no reino de Deus.” Mat. 21:31. Por mais miseráveis que sejam os espécimes da humanidade, de quem outros zombam e se retraem, não são baixos, nem miseráveis demais para a atenção e amor de Deus. Cristo anseia que homens aflitos, cansados e opressos, a Ele vão. Anseia dar-lhes luz, alegria e paz não encontradas em qualquer outra parte. Os piores pecadores são objeto da Sua profunda, ardente misericórdia e amor. Envia o Espírito Santo para sobre eles vigiar com ternura, procurando atraí-los a Si.
O servo que fez entrar os pobres e cegos, disse ao Mestre: “Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar. E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e atalhos e força-os a entrar, para que a minha casa se encha.” Luc. 14:22 e 23. Cristo apontou aqui a obra do evangelho fora dos limites do judaísmo, nos caminhos e valados do mundo.
Obedientes a este mandado, Paulo e Barnabé declaravam aos judeus: “Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a Palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios. Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da Terra. E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a Palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.” Atos 13:46-48.
A mensagem evangélica, pregada pelos discípulos de Cristo, era a anunciação de Sua primeira vinda ao mundo. Trouxe aos homens as boas-novas de salvação pela fé nEle. Apontava para Sua segunda vinda em glória para redimir Seu povo, e deu aos homens a esperança de partilhar da herança dos santos na luz pela fé e obediência. Esta mensagem é dada à humanidade hoje em dia, e, neste tempo, está ligada à anunciação da breve volta de Cristo. Os sinais de Sua vinda dados por Ele mesmo, cumpriram-se; e assim, pelos ensinos da Palavra de Deus podemos saber que o Senhor está à porta.
João, no Apocalipse, prediz a proclamação da mensagem do evangelho, justamente antes da vinda de Cristo. Viu “outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a Terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, porque vinda é a hora do Seu juízo.” Apoc. 14:6 e 7.
A esta advertência do Juízo e às mensagens com ela relacionadas segue-se, na profecia, a volta do Filho do homem nas nuvens do céu. A proclamação do Juízo é uma anunciação de que a segunda vinda de Cristo está próxima. E esta proclamação é chamada o evangelho eterno. Deste modo é mostrado que a pregação da segunda vinda de Cristo
“Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um Ancião de Dias Se assentou; e a Sua veste era branca como a neve, e o cabelo da Sua cabeça, como a limpa lã; o Seu trono, chamas de fogo, e as rodas dele, fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares O serviam…; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros.” Dan. 7:9 e 10. ou a anunciação de sua brevidade, é parte essencial da mensagem evangélica.
A Bíblia declara que nos últimos tempos os homens estariam absortos em empresas mundanas, prazeres e enriquecimento. Estariam cegos para as realidades eternas. Cristo diz: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.” Mat. 24:37-39.
O mesmo se dá hoje. Os homens lançam-se à caça de lucro e satisfação própria como se não houvesse Deus, nem Céu, nem vida futura. Nos dias de Noé foi dada a advertência do dilúvio vindouro para despertar os homens de sua impiedade e convidá-los ao arrependimento. Assim a mensagem da próxima vinda de Cristo visa a despertar os homens de seu enlevo nas coisas temporais. Destina-se a acordá-los para o senso das realidades eternas, para que atendam ao convite para a ceia do Senhor.
O convite do evangelho deve ser dado a todo o mundo – “a toda nação, e tribo, e língua, e povo”. Apoc. 14:6. A última mensagem de advertência e misericórdia deve iluminar com sua glória toda a Terra. Deve alcançar todas as classes sociais – ricos e pobres, elevados e humildes. “Sai pelos caminhos e atalhos”, diz Cristo, “e força-os a entrar, para que a Minha casa se encha.” Luc. 14:23.
O mundo perece pela carência do evangelho. Há fome da Palavra de Deus. Poucos pregam a Palavra não misturada com tradições humanas. Embora tenham os homens nas mãos a Bíblia, não recebem as bênçãos que, para eles, Deus nela colocou. O Senhor chama Seus servos para levar a mensagem ao povo. A Palavra da vida eterna deve ser dada aos que perecem em seus pecados.
Na ordem de ir pelos caminhos e valados, Cristo apresenta a tarefa, a todos os que chama, de ministrar em Seu nome. Todo o mundo é o campo para os ministros de Cristo. Toda a família humana está compreendida em sua congregação. O Senhor deseja que Sua Palavra de misericórdia seja levada a toda pessoa.
Isso deve ocorrer principalmente pelo serviço pessoal. Era o método de Cristo. Sua obra consistia grandemente em entrevistas pessoais. Tinha fiel consideração pelo auditório de uma só pessoa. Por esse único ouvinte, a mensagem, muitas vezes, era proclamada a milhares.
Não devemos esperar que as almas venham a nós; precisamos procurá-las onde estiverem. Quando a Palavra é pregada do púlpito, o trabalho apenas começou. Há multidões que nunca serão alcançadas pelo evangelho se ele não lhes for levado.
O convite para o banquete foi dado primeiramente ao povo judeu, ao povo que fora escolhido para ser professor e guia entre os homens, ao povo em cujas mãos estavam os escritos proféticos que prediziam o advento de Cristo, e a quem fora confiado o serviço simbólico que prefigurava Sua missão. Tivessem os sacerdotes e o povo atendido ao convite, ter-se-iam unido aos mensageiros de Cristo para estender ao mundo o convite evangélico. A verdade foi-lhes enviada para que a comunicassem a outros. Escusando-se ao convite, foi este enviado aos pobres, aleijados, mancos e cegos. Publicanos e pecadores aceitaram o convite. Quando o convite do evangelho é dirigido aos gentios, continua o mesmo plano de trabalho. A mensagem deve ser proclamada primeiramente “pelos caminhos” – aos homens que têm parte ativa no trabalho do mundo, aos mestres e guias do povo.
Os mensageiros do Senhor devem manter isto em mente. Deve atingir os pastores do rebanho, os mestres divinamente ordenados, como uma advertência a ser atendida. Aqueles que pertencem às camadas sociais mais elevadas devem ser procurados com terna afeição e respeito fraternal. Homens de negócios, em altas posições de confiança, homens de faculdades inventivas e intuição científica, intelectuais, mestres do evangelho, cuja atenção não foi dirigida para as verdades especiais deste tempo – esses devem ser os primeiros a ouvir o convite. A eles deve ser feito o convite.
Há uma obra que deve ser feita em prol dos ricos. Precisam ser despertados para reconhecer sua responsabilidade como a quem foram confiados dons do Céu. Devem ser lembrados de que precisam prestar contas Àquele que julgará os vivos e os mortos. Os ricos necessitam de seu trabalho no amor e temor de Deus. Muitíssimas vezes confiam eles nas riquezas, e não sentem o perigo. Seus olhos da mente precisam ser atraídos para as coisas de valor duradouro. Precisam reconhecer a autoridade da verdadeira bondade, que diz: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve.” Mat. 11:28-30.
Aqueles que por sua instrução, riqueza ou fama, ocupam posição saliente no mundo, raramente são abordados pessoalmente sobre os interesses da alma. Muitos obreiros cristãos hesitam em aproximar-se destas classes. Mas isto não deve acontecer. Se um homem se estivesse afogando, não permaneceríamos imóveis, vendo-o perecer, porque é advogado, negociante ou juiz. Se víssemos pessoas rolando a um precipício, não hesitaríamos em socorrê-las, qualquer que fosse sua posição ou profissão. Semelhantemente, não devemos hesitar em advertir os homens do perigo da alma.
Ninguém deve ser negligenciado por causa da aparente devoção às coisas materiais. Muitos da alta camada social estão pesarosos e cansados da vaidade; anseiam uma paz que não possuem. Nas mais elevadas classes da sociedade há homens que têm fome e sede de salvação. Muitos receberiam auxílio se os obreiros do Senhor deles se aproximassem pessoalmente de maneira cortês, com o coração sensibilizado pelo amor de Cristo.
O êxito da mensagem evangélica não depende de discursos estudados, de testemunhos eloqüentes nem de argumentos profundos. Depende da simplicidade da mensagem e de sua adaptação às almas que têm fome do pão da vida. “Que é necessário que eu faça para me salvar?” (Atos 16:30) – é a necessidade da alma. Milhares podem ser alcançados pelo modo mais simples e modesto. Os mais intelectuais, considerados os homens e mulheres mais prendados do mundo, são muitas vezes refrigerados pelas palavras simples de alguém que ama a Deus e fala desse amor tão naturalmente como os mundanos o fazem das coisas que mais profundamente lhes interessam.
Freqüentemente as palavras bem preparadas e estudadas têm pouca influência. Mas a expressão verdadeira e sincera de um filho ou filha de Deus, dita em simplicidade natural, tem poder para abrir a porta do coração que durante muito tempo esteve cerrada para Cristo e Seu amor.
Lembrem os obreiros de Cristo que não têm que trabalhar em sua própria força. Apoderem-se do trono de Deus com fé em Seu poder de salvar. Instem com Deus em oração, e trabalhem então com todas as facilidades que Deus lhes proporcionou. O Espírito Santo é provido como sua eficiência. Anjos ministradores estarão a seu lado para impressionar os corações.
Que centro missionário não seria Jerusalém, se seus guias e mestres houvessem recebido a verdade por Cristo! O Israel apóstata teria sido convertido. Um grande exército se teria congregado para o Senhor. Com que rapidez não teriam levado o evangelho a todas as partes do mundo! Assim, agora, que obra não poderia ser realizada para levantar os caídos, asilar os desterrados e pregar as boas-novas da salvação, se homens influentes e de grande capacidade fossem ganhos para Cristo! Rapidamente poderia ser feito o convite, e reunidos os convidados para a mesa do Senhor.
Contudo, não devemos pensar somente nos grandes e talentosos homens com desprezo das classes mais pobres. Cristo instrui Seus mensageiros para ir também pelos caminhos e valados, aos pobres e humildes da Terra. Nos cortiços e vielas das grandes cidades, nos caminhos solitários do campo, há famílias e indivíduos – talvez estrangeiros em Terra estranha – que não pertencem a nenhuma igreja, e na solidão chegam a sentir que Deus deles Se esqueceu. Não sabem o que devem fazer para serem salvos. Muitos sucumbem no pecado. Muitos estão acabrunhados. Estão opressos de sofrimentos e vicissitudes, incredulidade e desespero. Acometem-nos doenças de toda espécie, da alma e do corpo. Anelam encontrar consolo para os tormentos, e Satanás tenta-os a procurá-lo nos prazeres e divertimentos que conduzem à ruína e morte. Oferece-lhes os pomos de Sodoma, que se reduzirão a cinzas em seus lábios. Gastam dinheiro naquilo que não é pão, e trabalham por aquilo que não satisfaz.
Devemos ver nesses sofredores aqueles a quem Cristo veio salvar. Seu convite é: “Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. … Ouvi-Me atentamente e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. Inclinai os ouvidos e vinde a Mim; ouvi, e a vossa alma viverá.” Isa. 55:1-3.
Deus deu um mandamento especial, pelo qual devemos estimar o estrangeiro, o desterrado, e as pobres almas destituídas de poder moral. Muitos que aparentam completa indiferença pelas coisas religiosas, no coração anseiam descanso e paz. Embora tenham caído no mais profundo abismo do pecado, há possibilidades de salvá-los.
Os servos de Cristo devem seguir-Lhe o exemplo. Andando de lugar em lugar, consolava Ele os sofredores e curava os enfermos. Apresentava-lhes, então, as grandes verdades sobre Seu reino. Esta é a obra de Seus seguidores. Aliviando os sofrimentos do corpo, achareis caminho para socorrer as necessidades da alma. Podereis apontar ao Salvador exaltado, e contar do amor do grande Médico, que, unicamente, tem o poder de restaurar.
Diga aos pobres desanimados e corrompidos, que não desesperem. Embora hajam errado, e não tenham formado bom caráter, Deus tem alegria em restabelecer-lhes a alegria da salvação. Compraz-Se em tomar material aparentemente sem esperança – aqueles por quem Satanás operou – e fazê-los súditos de Sua graça. Deleita-Se em livrá-los da ira que virá sobre o desobediente. Dizei-lhes que há purificação e salvação para todo ser humano. Há um lugar para eles à mesa do Senhor. Ele espera dar-lhes as boas-vindas.
Quem sai pelos caminhos e valados, encontrará outros de caráter inteiramente oposto, que necessitam de seu auxílio. Há homens que vivem em harmonia com toda a luz que possuem, e servem a Deus da melhor maneira que sabem. Mas reconhecem que há uma grande obra para ser feita em proveito deles e dos que os cercam. Anelam maior conhecimento de Deus, porém apenas começaram a ter um vislumbre de maior luz. Oram com lágrimas para que Deus lhes envie a bênção que vislumbram ao longe, pela fé! Em meio da impiedade dos grandes centros podem ser encontradas muitas dessas pessoas. Algumas estão em ambiente humilde, e por isso são desconhecidas ao mundo. Há muitas, das quais nada sabem ministros e igrejas; porém, são testemunhas do Senhor nos lugares humildes e miseráveis. Podem ter tido pouca luz e poucas oportunidades de instrução cristã, mas em meio à nudez, fome e frio, procuram ministrar a outros. Procurem estas almas os mordomos da múltipla graça de Deus; visitem seus lares e, pelo poder do Espírito Santo, remedeiem suas vicissitudes. Estudai com elas a Bíblia e orai com elas com aquela simplicidade que o Espírito Santo inspira. Cristo dará aos Seus servos uma mensagem que será, para a alma, o pão do Céu. A preciosa bênção será levada de coração a coração, de família a família.
A ordem dada na parábola, “força-os a entrar” (Luc. 14:23), tem sido freqüentemente mal-interpretada. Tirou-se daí a conclusão de que deveríamos obrigar os homens a aceitarem o evangelho. Denota, porém, de preferência, a urgência do convite e a eficácia dos estímulos apresentados. O evangelho jamais emprega força para conduzir homens a Cristo. Sua mensagem é: “Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas.” Isa. 55:1. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem! … E quem quiser tome de graça da água da vida.” Apoc. 22:17. O poder do amor e da graça de Deus nos constrange a aceitar o convite.
O Salvador diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo.” Apoc. 3:20. Não é repelido por menosprezo nem desviado por ameaças, antes procura constantemente o perdido, e diz: “Como te deixaria?” Osé. 11:8. Embora Seu amor seja repelido pelo coração obstinado, volta a suplicar com mais força: “Eis que estou à porta e bato.” Apoc. 3:20. O poder prevalecente de Seu amor, impele a alma a entrar; e diz a Cristo: “A Tua mansidão me engrandeceu.” Sal. 18:35.
Cristo quer implantar nos mensageiros o mesmo amor comovente que tem em procurar os perdidos. Não só devemos dizer: “Vem!” Há homens que escutam o convite; porém, seus ouvidos são demasiado surdos para compreender. Seus olhos são muito cegos para ver alguma coisa boa reservada para eles. Muitos reconhecem sua grande degradação. Dizem: Não posso mais ser socorrido, deixai-me sozinho. Mas os obreiros não devem desistir. Com terno e piedoso amor, aproximai-vos. Dêem-lhes seu ânimo, sua esperança, sua força. Bondosamente impele-os a entrar. “E apiedai-vos de alguns que estão duvidosos; e salvai alguns, arrebatando-os do fogo.” Jud. 22 e 23.
Se os servos de Deus com Ele andarem pela fé, Ele lhes dará força à mensagem. Estarão aptos para apresentar de tal modo Seu amor e o perigo da rejeição da graça de Deus, que os homens serão constrangidos a aceitar o evangelho. Cristo realizará milagres maravilhosos, se os homens executarem a tarefa dada por Deus. Pode ser operada uma tão grande transformação no coração humano, hoje em dia, como o foi sempre nas gerações passadas. João Bunyan foi redimido da impiedade e orgia, João Newton do tráfico de escravos, para proclamar o Salvador exaltado. Um Bunyan e um Newton podem ser redimidos dentre os homens, hoje em dia. Por agentes humanos que cooperam com os divinos, muito pobre desterrado poderá ser ganho, e por sua vez procurará restaurar a imagem de Deus em outros. Aos que tiveram poucas oportunidades, e andaram no caminho do mal por não conhecerem um melhor, advirão raios de luz. Como a Palavra de Cristo veio a Zaqueu: “Hoje, Me convém pousar em tua casa” (Luc. 19:5), assim a Palavra virá a eles; e aqueles que eram considerados pecadores inveterados, serão achados com coração terno como o de uma criança, porque Cristo Se dignou notá-los. Muitos volverão do mais vil erro e pecado, e tomarão o lugar de outros que tiveram privilégios e oportunidades, mas não os apreciaram. Serão contados entre os escolhidos do Senhor, eleitos e preciosos; e quando Cristo vier em Seu reino, estarão junto ao Seu trono.
Mas, “vede que não rejeiteis ao que fala”. Heb. 12:25. Jesus disse: “Nenhum daqueles varões que foram convidados provará a Minha ceia.” Luc. 14:24. Rejeitaram o convite e nenhum deles seria convidado novamente. Rejeitando a Cristo, os judeus endureciam o coração e entregavam-se ao poder de Satanás, de modo que se lhes tornaria impossível aceitar a graça de Jesus. O mesmo acontece hoje em dia. Se o amor de Deus não for apreciado, e não se tornar um princípio que habite em nós, para abrandar e sujeitar a alma, estaremos completamente perdidos. O Senhor não pode proporcionar maior revelação de amor que a por Ele demonstrada. Se o amor de Jesus não sensibilizar o coração, não há outro meio pelo qual podemos ser alcançados.
Toda vez que recusais ouvir a mensagem da graça, fortificai-vos na incredulidade. Toda vez que deixardes de abrir a porta do coração para Cristo, ficareis menos e menos inclinados a atender à voz dAquele que fala. Diminuis as probabilidades de atender ao último apelo da graça. Não seja escrito de vós como do antigo Israel: “Efraim está entregue aos ídolos; deixa-o.” Osé. 4:17. Não deixeis Jesus chorar por vós, como chorou por Jerusalém, dizendo: “Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Eis que a vossa casa se vos deixará deserta.” Luc. 13:34 e 35.
Vivemos no tempo em que a última mensagem da graça, o convite final, está sendo enviado aos homens. A ordem “sai pelos caminhos e atalhos” (Luc. 14:23), está atingindo seu cumprimento final. A toda pessoa será apresentado o convite de Cristo. Os mensageiros estão dizendo: “Vinde, que já tudo está preparado.” Luc. 14:17. Os anjos celestes ainda cooperam com os agentes humanos. O Espírito Santo apresenta todo o estímulo para vos constranger a ir. Cristo aguarda algum sinal que demonstre que o ferrolho está sendo puxado, e a porta de vosso coração Lhe está sendo aberta. Os anjos esperam levar para o Céu a boa nova de que outro pecador perdido foi achado. Os exércitos celestiais aguardam, prontos para tocar suas harpas e cantar um hino de alegria, porque mais um pecador aceitou o convite para a ceia do evangelho.










































