As Palavras do Senhor

Parábolas de Jesus – A Fonte do Poder Vencedor

Cristo falara do período justamente antes de Sua segunda vinda e dos perigos que Seus seguidores teriam que atravessar. Com especial referência àquele tempo, relatou-lhes a parábola “sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer”. Luc. 18:1.

“Havia numa cidade um certo juiz”, disse, “que nem a Deus temia, nem respeitava homem algum. Havia também naquela mesma cidade uma certa viúva e ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário. E, por algum tempo, não quis; mas, depois, disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte e me importune muito. E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz. E Deus não fará justiça aos Seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça.” Luc. 18:2-8.

O juiz que nos é descrito, não tinha respeito ao direito, nem piedade pelos sofredores. A viúva que lhe apresentou sua causa com insistência, foi repelida pertinazmente. Repetidas vezes a ele apelara, porém, só para ser tratada com desprezo e expulsa do tribunal. O juiz sabia que a causa era justa, e poderia havê-la auxiliado imediatamente, mas não o quis.

Desejava mostrar seu poder arbitrário, e comprazia-se em deixá-la suplicar e pedir em vão. Todavia ela não quis deixar-se desanimar. Apesar da indiferença e dureza de coração dele, tanto insistiu em sua petição, que o juiz enfim consentiu em atender sua causa. “Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens”, disse, “todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte e me importune muito.” Luc. 18:4 e 5. Para preservar sua reputação e evitar tornar pública sua sentença arbitrária e parcial, fez justiça à perseverante mulher.

“E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz. E Deus não fará justiça aos Seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça.” Luc. 18:6-8. Cristo traça aqui um vivo contraste entre o juiz injusto e Deus. O juiz cedeu ao pedido da viúva só por egoísmo e para esquivar-se à contínua importunação. Não sentia por ela compaixão nem piedade; sua indigência lhe era indiferente. Que diversa é a atitude de Deus para com os que O procuram! Os apelos dos necessitados e aflitos são atendidos com infinita misericórdia.

A mulher que rogava ao juiz justiça, perdera o marido; pobre e sem amigos, não tinha meios para readquirir suas propriedades arruinadas. Assim, pelo pecado, o homem perdeu sua ligação com Deus. Em si mesmo não tem meios de salvação; entretanto, por Cristo, somos aproximados do Pai. Os eleitos de Deus são caros a Seu coração; são aqueles que chamou das trevas para a maravilhosa luz, para anunciar Seu louvor, e para brilhar como luzes em meio das trevas do mundo. O injusto juiz não tinha interesse particular na viúva que o importunava pelo veredicto; porém, para subtrair-se a suas súplicas comoventes, ouviu a petição, e fez-lhe justiça contra o adversário. Deus, porém, ama Seus filhos com infinito amor. O mais caro objeto na Terra Lhe é a Sua igreja.

“Porque a porção do Senhor é o Seu povo; Jacó é a parte da Sua herança. Achou-o na terra do deserto e num ermo solitário cheio de uivos; trouxe-o ao redor, instruiu-o, guardou-o como a menina do Seu olho.” Deut. 32:9 e 10. “Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Depois da glória, Ele Me enviou às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do Seu olho.” Zac. 2:8.

A petição da viúva: “Faze-me justiça contra o meu adversário” (Luc. 18:3), representa a oração dos filhos de Deus. Satanás é o grande adversário. É “o acusador de nossos irmãos”, que os acusa de dia e de noite perante Deus. Apoc. 12:10. Instantemente trabalha para mal representar e acusar, para enganar e destruir o povo de Deus. Nesta parábola, Cristo ensina os discípulos a pedirem salvação do poder de Satanás e de seus instrumentos.

Na profecia de Zacarias é esclarecida a obra acusadora de Satanás e a obra de Cristo em resistir ao adversário de Seu povo. Diz o profeta: “E me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor. Mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreende, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende: não é este um tição tirado do fogo? Ora, Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do anjo.” Zac. 3:1-3.

O povo de Deus é aqui representado como um delinqüente, em juízo. Josué como sumo sacerdote, pede uma bênção para seu povo que está em grande aflição. Enquanto suplica a Deus, Satanás está à sua direita, como antagonista. Acusa os filhos de Deus e faz seu caso parecer tão desesperador quanto possível. Expõe ao Senhor seus pecados e faltas. Aponta seus erros e fracassos, esperando que pareçam aos olhos de Cristo num caráter tal, que não lhes prestará auxílio em sua grande necessidade. Josué, como representante do povo de Deus, está sob condenação, cingido de vestes imundas. Consciente dos pecados de seu povo está opresso de desânimo. Satanás carrega a pessoa com um sentimento de culpa que a faz sentir-se quase sem esperança. Todavia, ali permanece como suplicante, com Satanás disposto contra ele.

A obra de Satanás como acusador, começou no Céu. Desde a queda do homem, esta tem sido sua obra na Terra, e sê-lo-á num sentido especial à medida que nos aproximarmos do fim da história deste mundo. Vendo que tem pouco tempo, trabalhará com maior fervor para iludi-los e destruí-los. Está irado porque vê aqui na Terra homens que, mesmo em sua fraqueza e pecaminosidade, manifestam respeito à lei de Jeová. Decidiu que não devem obedecer a Deus. Deleita-se em sua indignidade, e arma ciladas a cada alma para que todas sejam enredadas e alienadas de Deus. Tenta acusar e condenar a Deus e a todos os que se empenham em levar a efeito neste mundo Seus desígnios em graça e amor, compaixão e clemência.

Toda manifestação do poder de Deus em favor de Seu povo, provoca a inimizade de Satanás. Toda vez que Deus opera em prol deles, Satanás e seus anjos também operam com vigor renovado para lhes ocasionar a ruína. Inveja todos quantos fazem de Cristo sua força. Seu objetivo é instigar o mal, e se alcança êxito, lança toda a culpa sobre os tentados. Aponta-lhes as vestes imundas e o caráter imperfeito. Apresenta-lhes a sua fraqueza, loucura, os pecados de ingratidão e a dessemelhança de Cristo, a qual tem desonrado seu Redentor. Tudo isso expõe como argumento para provar o direito de destruí-los. Tenta terrificar o ser humano pelo pensamento de que seu caso é sem esperança, e nunca poderão ser lavadas as manchas de sua contaminação. Espera desse modo destruir-lhes a fé para que se rendam completamente à tentação e se desviem de sua fidelidade a Deus.

O povo do Senhor não pode por si mesmo refutar as acusações de Satanás. Ao olharem a si mesmos estão prestes a desesperar. Mas eles apelam para o Advogado divino. Invocam os méritos do Redentor. Deus pode ser “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”. Rom. 3:26. Com confiança, os filhos de Deus a Ele clamam para silenciar as acusações de Satanás e aniquilar seus planos. “Faze-me justiça contra o meu adversário” (Luc. 18:3), oram; e com o poderoso argumento da cruz, Cristo faz calar o ousado acusador.

“O Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreende; ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?” Zac. 3:2. Em tentando Satanás denegrir os filhos de Deus e arruiná-los, Cristo Se interpõe. Embora tivessem pecado, Cristo tomou sobre a Sua própria alma a culpa de seus pecados. Arrebatou a humanidade como um tição do fogo. Pela natureza humana, está ligado ao homem, enquanto, pela divina, é um com o infinito Deus. É posto auxílio ao alcance das almas moribundas. O adversário é repreendido.

“Ora Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do anjo. Então, falando, ordenou aos que estavam diante dele, dizendo: Tirai-lhe estas vestes sujas. E a ele lhe disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniqüidade e te vestirei de vestes novas. E disse eu: Ponham-lhe uma mitra limpa sobre a sua cabeça. E puseram uma mitra limpa sobre sua cabeça e o vestiram de vestes.” Zac. 3:3-5. Com a autoridade do Senhor dos Exércitos protestou o anjo a Josué, o representante do povo, solenemente: “Se andares nos Meus caminhos e se observares as Minhas ordenanças, também tu julgarás a Minha casa e também guardarás os Meus átrios, e te darei lugar entre os que estão aqui” – mesmo entre os anjos que circundam o trono de Deus. Zac. 3:7.

A despeito das faltas do povo de Deus, Cristo não abandona o objeto de Seu cuidado. Tem poder para mudar-lhes as vestes. Remove as vestes imundas, envolve com Seu manto de justiça os crentes e arrependidos, e, junto a seus nomes, escreve nos relatórios do Céu o perdão. Confessa-os como Seus, perante o universo celeste. Satanás, o adversário, é desmascarado como acusador e enganador. Deus fará justiça a Seus escolhidos.

A petição: “Faze-me justiça contra o meu adversário” (Luc. 18:3), aplica-se não só a Satanás, como também aos agentes que instiga para mal representar, tentar e destruir os filhos de Deus. Aqueles que decidem prestar obediência aos mandamentos de Deus saberão, por experiência própria, que têm adversários dominados por um poder inferior. Tais adversários assaltavam Cristo a cada passo, e tão contínua e resolutamente como jamais nenhum ser humano poderá saber. Os discípulos de Cristo estão, como o Mestre, expostos a constantes tentações.

As Sagradas Escrituras descrevem as condições do mundo, justamente antes da segunda vinda de Cristo. O apóstolo Tiago descreve-nos a cobiça e a opressão que hão de prevalecer. Diz ele: “Eia, pois, agora vós, ricos. … Entesourastes para os últimos dias. Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Deliciosamente, vivestes sobre a Terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso coração, como num dia de matança. Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu.” Tia. 5:1, 3-6. É este o quadro das condições modernas. Exercendo os homens opressão e extorsão de toda espécie, acumulam fortunas colossais, enquanto sobem a Deus os clamores da humanidade abatida.

“Pelo que o juízo se tornou atrás, e a justiça se pôs longe, porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a eqüidade não pode entrar. Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado.” Isa. 59:14 e 15. Isso se cumpriu na vida de Cristo na Terra. Foi leal aos mandamentos de Deus, pondo de parte tradições e exigências humanas que tinham sido elevadas ao primeiro plano. Por esse motivo foi odiado e perseguido. A história repete-se. Leis e tradições de homens são exaltadas acima da lei de Deus, e quem é fiel aos mandamentos de Deus sofre vexame e perseguição. Por Sua fidelidade a Deus, Cristo foi incriminado de ser transgressor do sábado e blasfemo. Diziam que estava possuído do diabo, e foi denunciado como Belzebu. Da mesma maneira serão acusados Seus seguidores e expostos em uma falsa luz. Satanás espera, por esse meio, induzi-los a pecar e desonrar a Deus.

O caráter do juiz, na parábola, que não temia a Deus nem respeitava os homens, foi apresentado por Cristo para mostrar a espécie de justiça então exercida, e que seria brevemente testemunhada em Seu julgamento. Deseja que, em todo o tempo, os Seus reconheçam quão pouco, no dia da adversidade, podem confiar em governantes e juízes terrestres. Freqüentemente o povo eleito de Deus precisa comparecer perante homens que desempenham funções oficiais, e não fazem da Palavra de Deus seu guia e conselheiro, antes seguem seus próprios impulsos não consagrados nem disciplinados.

Na parábola do juiz injusto, mostrou Cristo o que devemos fazer. “E Deus não fará justiça a Seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite?” Luc. 18:7. Cristo, nosso exemplo, nada fez para Se justificar e livrar. Confiou Sua causa a Deus. Assim Seus seguidores não devem acusar nem condenar, ou recorrer à violência, para se livrarem.

Se surgem provações que parecem inexplicáveis, não devemos permitir que nossa paz nos seja roubada. Conquanto sejamos tratados injustamente, não demonstremos raiva. Alimentando o espírito de represália, prejudicamo-nos a nós mesmos. Destruímos nossa confiança em Deus e entristecemos o Espírito Santo. Ao nosso lado está uma Testemunha, um Mensageiro celestial, que levantará o estandarte contra o inimigo. Envolver-nos-á com os brilhantes raios do Sol da Justiça. Além disso, Satanás não pode penetrar. Não pode atravessar esse escudo de luz sagrada.

Enquanto o mundo progride na perversidade, nenhum de nós se lisonjeie de que não terá dificuldades. Todavia, justamente essas dificuldades nos levam à sala de audiência do Altíssimo. Podemos pedir conselho Àquele que é infinito em sabedoria.

O Senhor diz: “Invoca-Me no dia da angústia.” Sal. 50:15. Convida-nos a Lhe expormos nossas perplexidades e carências, e nossa necessidade de auxílio divino. Exorta-nos a perseverar na oração. Logo que surjam dificuldades, devemos apresentar-Lhe nossas petições sinceras e francas. Pelas orações insistentes evidenciamos nossa forte confiança em Deus. O senso de nossa necessidade nos induz a orar com fervor, e nosso Pai celestial é movido por nossas súplicas.

Muitas vezes aqueles que por sua fé sofrem afrontas e perseguições, são tentados a pensar que Deus os esqueceu. Aos olhos dos homens são a minoria. Segundo toda a aparência, os inimigos triunfarão sobre eles. Entretanto, não devem violentar a consciência. Aquele que por eles padeceu e suportou suas aflições e cuidados, não os desamparou.

Os filhos de Deus não foram deixados sós e indefesos. A oração move o braço do Onipotente. As orações “venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo” – saberemos o que isto significa, quando ouvirmos o relato de mártires que morreram por sua fé – “puseram em fugida os exércitos dos estranhos”. Heb. 11:33 e 34.

Se consagrarmos a vida a Seu serviço, nunca chegaremos a situações para as quais Deus não haja feito provisão. Qualquer que seja nossa situação, temos um Guia para nos dirigir o caminho; quaisquer que sejam nossas perplexidades, temos um conselheiro infalível; quaisquer que sejam nossas aflições, privações ou solidão, temos um Amigo compassivo. Se em nossa ignorância dermos passos errados, Cristo não nos abandona. Ouviremos Sua voz clara e distinta: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.” João 14:6. “Livrará ao necessitado quando clamar, como também ao aflito e ao que não tem quem o ajude.” Sal. 72:12.

O Senhor declara que é honrado por aqueles que a Ele se achegam e O servem fielmente. “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em Ti; porque ele confia em Ti.” Isa. 26:3. O braço do Todo-poderoso está estendido para nos conduzir avante e sempre avante. Avançai, diz o Senhor, enviar-vos-ei socorro. Para a glória de Meu nome é que pedis e vos será concedido. Serei honrado diante daqueles que espreitam vosso fracasso. Eles verão Minha Palavra triunfar gloriosamente. “E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis.” Mat. 21:22.

Invoquem a Deus todos os que estão em tribulações ou são maltratados. Desviai-vos daqueles cujo coração é como o aço, e tornai conhecidas as vossas petições ao vosso Criador. Ele jamais repele alguém que a Ele recorre com coração contrito. Nenhuma oração sincera se perde. Em meio das antífonas do coro celestial, Deus ouve o clamor do mais débil ser humano. Derramamos o desejo do nosso coração em secreto, murmuramos uma oração enquanto seguimos nosso caminho, e nossas palavras atingem o trono do Monarca do Universo. Podem não ser audíveis aos ouvidos humanos, porém não podem morrer no silêncio, nem perder-se no tumulto dos afazeres diários. Nada pode sufocar o desejo da alma. Alça-se sobre o barulho das ruas e a confusão da multidão, às cortes celestiais. É a Deus que falamos e nossa oração é atendida.

Você que se sente o mais indigno, não tema confiar seu caso a Deus. Quando Se entregou a Si mesmo em Cristo pelos pecados do mundo, assumiu Ele o caso de todo pecador. “Aquele que nem mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes, O entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele todas as coisas?” Rom. 8:32. Não cumprirá Ele a graciosa palavra que nos deu para nos animar e fortalecer?

Cristo nada mais anela que redimir do domínio de Satanás Sua herança. Todavia, antes de sermos libertos do poder de Satanás exteriormente, precisamos ser redimidos de seu poder interior. O Senhor permite provações, para sermos purificados do mundanismo, do egoísmo, de traços de caráter grosseiros e não semelhantes aos de Cristo. Tolera que passem sobre nosso ser as águas profundas da tribulação, para que O conheçamos, e a Jesus Cristo, a quem enviou, para que experimentemos o desejo intenso de ser purificados de toda a contaminação, e saiamos da prova mais puros, santos e felizes. Muitas vezes entramos na fornalha da provação com a alma entenebrecida pelo egoísmo; se, porém, permanecermos pacientes sob a prova cruciante, refletiremos, ao dela sair, o caráter divino. Se Seu propósito na aflição for alcançado, “fará sobressair a tua justiça como a luz; e o teu juízo, como o meio-dia”. Sal. 37:6.

Não há perigo de que o Senhor despreze as orações de Seu povo. O perigo está em que desanimem na tentação e prova e deixem de perseverar em oração.

O Salvador demonstrou divina compaixão para com a mulher siro-fenícia. Comoveu-Se-Lhe o coração ao ver sua aflição. Anelava dar-lhe imediata segurança de que sua oração fora atendida; porém desejava dar aos discípulos uma lição, e por um tempo pareceu desprezar o clamor daquele coração torturado. Depois de ser manifesta a Sua fé, falou-lhe palavras de louvor e enviou-a com a preciosa bênção pela qual orava. Os discípulos jamais esqueceram essa lição; e foi registrada para mostrar o resultado da oração perseverante.

Cristo mesmo colocou no coração daquela mãe a persistência que não se deixa repelir. Cristo foi quem deu àquela suplicante viúva, ânimo e resolução perante o juiz. Cristo foi quem, séculos atrás, no misterioso conflito junto ao Jaboque, inspirou a Jacó a mesma perseverante fé; e não deixou de recompensar a confiança que Ele mesmo implantara. Ele, que mora no santuário celeste, julga justamente. Tem mais prazer em Seus filhos que pelejam com as tentações num mundo de pecado, do que na multidão de anjos que Lhe circunda o trono.

Nesta pequena Terra manifesta todo o universo celeste o maior interesse; pois Cristo pagou preço infinito pelas almas que aqui habitam. O Redentor do mundo ligou a Terra ao Céu por laços de compreensão; pois aqui estão os remidos do Senhor. Seres celestiais ainda visitam a Terra, como nos dias que andavam e falavam com Abraão e Moisés. Em meio da atividade rumorosa das grandes cidades, por entre as multidões que se apinham nas ruas e casas de negócio, onde os homens trabalham da manhã à noite, como se negócio, esporte e prazer fossem tudo na vida, onde tão poucos contemplam as realidades invisíveis – mesmo aqui tem o Céu os seus vigias e santos. Agentes invisíveis observam cada palavra e ação dos seres humanos. Em toda assembléia de negócio ou prazer, em toda reunião de culto, há mais ouvintes que os que podem ser vistos pelos olhos naturais. Freqüentemente os seres celestiais retiram o véu que tolda o mundo invisível, para que nossos pensamentos se retraiam do burburinho da vida e considerem que há testemunhas invisíveis de tudo quanto fazemos ou dizemos.

Devemos compreender melhor a missão dos visitantes angélicos. Bem faremos em meditar que em toda a nossa obra temos a cooperação e o cuidado de seres celestiais. Invisíveis esquadrões de luz e poder acompanham os mansos e humildes crentes que reclamam as promessas de Deus. Querubins, serafins e anjos excelsos em poder – miríades de miríades e milhares de milhares – estão à Sua destra, “todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”. Heb. 1:14. Por esses mensageiros é mantido um relato fiel das palavras e atos dos filhos dos homens. Cada ação cruel ou injusta contra os filhos de Deus, tudo que precisam sofrer pelo poder dos ímpios, é registrado no Céu.

“Deus não fará justiça aos Seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça.” Luc. 18:7 e 8.

“Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará.” Heb. 10:35-37. “Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração; porque já a vinda do Senhor está próxima.” Tia. 5:7 e 8.

A longanimidade de Deus é maravilhosa. Longamente espera a justiça enquanto a graça intercede com o pecador. Mas “justiça e juízo são a base do Seu trono”. Sal. 97:2. “O Senhor é tardio em irar-Se, mas grande em força e ao culpado não tem por inocente; o Senhor tem o Seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos Seus pés.” Naum 1:3.

O mundo tornou-se ousado na transgressão da lei de Deus. Por causa de Sua longa clemência os homens Lhe espezinharam a autoridade. Fortaleceram-se na opressão e crueldade contra Sua herança, dizendo: “Como o sabe Deus? Ou: Há conhecimento no Altíssimo?” Sal. 73:11. Há, porém, um limite além do qual não podem passar. Próximo está o tempo em que atingirão o limite prescrito. Mesmo agora quase excederam os termos da longanimidade de Deus, e a medida de Sua graça e misericórdia. O Senhor Se interporá para vindicar Sua própria honra, para livrar Seu povo e reprimir os excessos da injustiça.

Nos tempos de Noé os homens desprezaram a lei de Deus, até que a lembrança do Criador fora quase banida da Terra. Sua iniqüidade tornara-se tão grande que o Senhor fez vir um dilúvio sobre a Terra e consumiu seus ímpios habitantes.

De tempos a tempos o Senhor tornou pública a maneira de Seu proceder. Ao sobrevir uma crise, revelou-Se e interpôs-Se para impedir a execução do plano de Satanás. Muitas vezes deixou que uma crise chegasse aos povos, famílias e indivíduos, para que Sua intervenção se tornasse notada. Então manifestava que havia um Deus em Israel que mantinha Suas leis e vindicava Seu povo.

Neste tempo, em que prevalece a iniqüidade, podemos saber que a grande e última crise está à porta. Quando o desafio da lei de Deus for quase universal, quando o Seu povo for oprimido e atormentado por seus semelhantes, o Senhor intervirá.

Próximo está o tempo em que dirá: “Vai, pois, povo Meu, entra nos teus quartos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. Porque eis que o Senhor sairá do Seu lugar para castigar os moradores da Terra, por causa da sua iniqüidade; e a Terra descobrirá o seu sangue e não encobrirá mais aqueles que foram mortos.” Isa. 26:20 e 21. Homens que pretendem ser cristãos podem defraudar e oprimir os pobres; podem roubar aos órfãos e viúvas; condescender com seu ódio satânico por não poderem dominar a consciência dos filhos de Deus; porém Deus trará tudo isto a juízo. “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia.” Tia. 2:13. Brevemente estarão perante o Juiz de toda a Terra, para prestar contas pelos sofrimentos físicos e morais infligidos à Sua herança. Podem agora entregar-se a acusações falsas, podem injuriar os que Deus apontou para Sua obra, podem entregar os crentes à prisão, aos grilhões, ao desterro e à morte; todavia serão argüidos por toda a agonia de sofrimento e toda lágrima vertida. Deus lhes pagará dobradamente por seus pecados. Referente a Babilônia, o símbolo da igreja apóstata, diz a Seus ministros de juízo: “Os seus pecados se acumularam até ao Céu, e Deus Se lembrou das iniqüidades dela. Tornai-lhe a dar como ela vos tem dado e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice em que vos deu de beber, dai-lhe a ela em dobro.” Apoc. 18:5 e 6.

Da Índia, da África, da China, das ilhas do mar, dos milhões de oprimidos dos países chamados cristãos, sobe para Deus o clamor do tormento humano. Esse clamor não permanecerá muito tempo sem ser atendido. Deus purificará a Terra da corrupção moral, porém não por um mar de água como nos dias de Noé, mas com um mar de fogo, que não será apagado por artifício humano algum.

“Haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, livrar-se-á o Teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro.” Dan. 12:1.

De cortiços, de pobres choças, de prisões, de cadafalsos, das montanhas e desertos, das cavernas da Terra e dos abismos do mar, Cristo recolherá Seus filhos. Na Terra tinham sido destituídos, afligidos e atormentados. Milhões baixaram ao túmulo carregados de infâmia, porque recusaram render-se às enganosas pretensões de Satanás. Por tribunais humanos os filhos de Deus foram condenados como os mais vis criminosos. Mas próximo está o dia em que “Deus mesmo é o juiz”. Sal. 50:6. Então as sentenças dadas na Terra serão invertidas. Então “tirará o opróbrio do Seu povo de toda a Terra”. Isa. 25:8. Vestes brancas dar-se-ão a todos eles. Apoc. 6:11. “E chamar-lhes-ão povo santo, os remidos do Senhor.” Isa. 62:12. Qualquer que tenha sido a cruz que suportaram, quaisquer as perdas sofridas, qualquer a perseguição que padeceram, mesmo a perda da vida temporal, os filhos de Deus serão amplamente recompensados. “Verão o Seu rosto, e na sua testa estará o Seu nome.” Apoc. 22:4.

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